sexta-feira, 19 de junho de 2009

Threesome

Falavas nisso há tanto tempo, nesse teu desejo embriagado, que te inflamava o olhar.
Sussurravas-me os detalhes ao ouvido enquanto me possuías, e nesses momentos apoderava-se de ti o fervor da vontade nua e crua, e penetravas-me com mais força. E eu gemia deliciada e totalmente possuída por ti.
Cresceu em mim, sem me aperceber, um desejo igual ao teu.
A ideia, que de início me parecia impossível de concretizar, tomou raízes, criei-lhe gosto, e surpreendi-me também a tecer cenários imaginados de fantasia, enquanto os meus dedos rebeldes procuravam o meu centro, uma e outra vez, satisfazendo-me. E mais uma vez gemia, e mais uma vez gritava.
Comecei a tentar adivinhar nos rostos que me rodeavam possíveis companheiros de uma noite de loucuras, mas abanava a cabeça num misto de vergonha e desespero por não poder concretizar aquela febre que já me consumia, como a ti.
Uma noite, uma saída de amigas, vi-me num bar que me era desconhecido e a dançar solta numa pista, ao ritmo quente escolhido pelo ouvido experiente do DJ.
Abri os olhos, e lá estava ela, a olhar-me. Galar-me, mais seria o termo. Tentei afastar o meu olhar mas ele caía sempre, irrequieto, para o canto onde estava a mulher de corpo mulato e generoso (belo, belíssimo!) e grandes olhos cinzentos que me comia assim, à distância. Sentia o desejo dela como um campo eléctrico em seu redor, que me fazia húmida e gelatinosa no vestido branco que me cobria. Tive até medo que fosse visível para as minhas amigas a forma como, de repente, me vi a dançar apenas para ela, provocantemente, sensualmente.
Pensei-me louca, levei as mãos à cara e decidi-me por uma rápida visita ao WC, onde me poderia compor.
Mal tinha atravessado a porta e estava a passar água pelo pescoço que ardia, sentia-a atrás de mim. Sem me tocar, disse-me "quero-te e sei que também me queres. mas se me negares, vou-me embora sem te tocar sequer".
Sem levantar os olhos, sussurrei-lhe em voz rouca que sim, que a queria, que não sabia o que de mim se havia apoderado, que eu não era homossexual e mais uma data de baboseiras em forma de desculpa que ela calou, sem apelo nem agravo, colando a boca à minha, e explorando-me com a língua, enquanto os dedos doces me procuravam as virilhas.
Com todo o discernimento que pude reunir, e já ébria de desejo por aquele corpo moreno, pedi-lhe para se guardar, porque a queria partilhar contigo. Concordou e dirigimo-nos apressadamente ao meu carro, que conduzi até casa, enquanto ela me tocava onde conseguia, durante o caminho.
Abri a porta de mão dada com a minha mulher-desejo, chamei por ti. Vieste, meio tonto de sono, tronco nu e boxers, e num olhar compreendeste tudo. Olhámos-te, rimos meio em surdina, como meninas travessas preparadas para uma diabrura. Vi como o teu corpo se começou a agitar para o sexo (conheço-te bem).
Juntos, de mãos dadas, subimos para o quarto, em penumbra. Ficaste a um canto, de "castigo", enquanto a minha amiga me tocava com as suas mãos experientes e sábias, adivinhando-me o querer.
Desceu no meu corpo, abrindo-me as pernas e afundando a língua no meu centro, enquanto me contorcia sem nada pensar. Querias isto, afinal quem goza mais, quem gosta mais sou eu, estou louca, quero tocar-lhe, peço-lhe, encaixamos uma em cima da outra em cada direcção, exploramos os sexos alheios, agora estou completamente entregue e perdida e sinto a tua respiração ritmada no canto.
És convidado a participar, ela lambe-te o sexo hasteado, enquanto te beijo na boca e tens uma mão na cabeça da "nossa" mulher e outra no meu peito de mamilos erectos. Gostas, vejo-te na fome com que me consomes os lábios e me apertas o seio. Gosto que gostes.
Ordenas-lhe que me coma de novo, eu deito-me na cama, à beirinha, de pernas bem abertas, adivinhando já o fogo que nos vai consumir. Ela, deliciada comigo e o meu gosto a fêmea "virgem" nestas coisas, enfia bem a língua no meu clítoris, rodeia-o com os lábios, enquanto me penetra com os dedos. Gemo, é demais.
Louco, tu penetra-la por detrás, apoiado nas suas ancas largas. O gozo que vês no meu olhar inebria-te, endoidece-te, e ela pede-te que não pares, e que vás fundo, e diz uma data de obscenidades que nos põem a ponto de explodir. Estamos os três a gozar ao máximo, bem se vê.
Com um último empurrão, vens-te nela, ao mesmo tempo que ela se contorce no orgasmo simultâneo. Vendo-vos, abandono-me à língua dela, e o meu corpo arqueia no momento do orgasmo que me toma conta.
Os três, juntos. Como um.
Threesome, at last.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Noite especial

A minha noite especial.
Como combinado hoje deixo-me apenas ficar, recebendo prazer.

As tuas mãos são suaves, pequenas. Diria até delicadas.
Tocas-me docemente, traçando invisíveis tatuagens Maori na minha face, fazendo de mim guerreira tribal entre os teus braços.
São sábias, essas mãos. Conhecem-me os relevos e as concavidades, todas as curvas e contracurvas arredondadas que me compõem. Conhecem-me tão bem como o teu Eu irrequieto me conhece a alma, por dentro e por fora. O que está à vista e o que permanece oculto, todas as pequenitas coisas que só dou a conhecer a quem quero.

E eu quero-te a ti. Por isso me revelo, me desvelo, me descubro diante dos teus olhos e me abro sob o teu toque como uma flor aos raios de sol, me curvo sob essa tua mão suave como uma erva ao sabor da brisa.
Os teus lábios pousam sobre as minhas pálpebras fechadas, seguindo a rota antes percorrida pelos teus dedos. Afloram-me o lóbulo da orelha e despertam um arrepio que me faz contorcer sob a mão que desce rumo ao meu ventre depois de ter subido caminhos em espiral nos meus seios frementes.
Conheces-me bem, conheces este corpo que pulsa junto ao teu e cada toque se torna electrizante. A tua mão desvia-se para a minha coxa enquanto a tua boca toma a minha de assalto. Sim, de assalto - contrastando com toda a suavidade até agora demonstrada a tua língua mostra-se ávida, revelando uma fome imperiosa. Os dedos desviam-se agora insidiosamente para o centro do meu desejo, rodeando, explorando.

O meu braço emerge da letargia rodeando-te a cintura, premindo o teu corpo quente contra o meu. A tua boca afasta-se e ao abrir os olhos vejo a tua mirada fixa, verrumando-me a alma com os olhos enquanto me penetras no corpo com essa mão delicada e sapiente.
Solto um gemido e arqueio as costas sem deixar de te fitar. Continuas a olhar-me fixamente, a absorver todos os reflexos de desejo no meu olhar e exploras-me por dentro desencadeando um torvelinho nas minhas entranhas.
"Beija-me", sussurro, e sorrindo inclinas a cabeça sobre o meu ombro enquanto a tua mão continua a descobrir os meus húmidos segredos.

A tua língua traça agora rendados de saliva num mamilo endurecido, os teus dedos passeiam massajando o clítoris agora túmido onde se parece concentrar uma verdadeira tempestade eléctrica. Gemo, um queixume rouco quando me mordiscas o ventre, a tua mão provocando-me com desenhos entre os arbustos molhados. Tremo, ansiosa pela posse, mas como um estratega militar mandas um novo espião infiltrar-se no vulcão quase em erupção entre as minhas coxas. Insidiosa, a tua língua mostra-se uma exploradora tão hábil como os teus dedos, levando-me a um paroxismo de desejo em crescendo.

Páras. Recupero o fôlego e olho para ti. A tua mão (tão delicada, tão sábia) segura agora o teu brinquedo. Sorris. Sei que é agora e abro as coxas para ti, arfando em antecipação.



Penetras-me finalmente com o falo de borracha morna, direitinho ao ponto que homem nenhum descobre. Enquanto os teus seios se comprimem sobre os meus, levas-me ao clímax e eu grito por fim, um longo grito de prazer que te faz rir de satisfação.

Amanhã, minha querida, é a tua noite, é a minha vez de te fazer gritar assim ...

quarta-feira, 3 de junho de 2009

As luvas


Pedes-me que as calce, em voz de queixume.

Elas, as malditas, o teu objecto de desejo, pousam discretamente, como que alheias, na mesinha de bambú que mora na meia penumbra do canto.

Gosto de ver-te o desejo na boca, gosto de sentir-te o pedido no olhar.

Gosto que me gostes com elas calçadas, quando me sinto forte e te excito assim, na pose musculada de quem se defende, da mulher capaz e dura, de armadura negra colada ao corpo.

Por isso, faço-te a vontade, que já te vejo crescer na língua que me estendes.

Lentamente, calço-as, e as mãos assim trajadas transformam-me o corpo em felina, e simulo os gestos que tanto anseias por ver, porque te arrepia a pele de ébano e te transforma em labareda, que me incendeia o desejo. Simulo-me assim, a forte, a má.

E vejo como as tuas mãos te começam a percorrer o peito e os dedos te fogem para esse teu mastro de macho no cio e iniciam o jogo do prazer a que te dedicas, sem pudor, à minha frente, dizendo-me que sou eu quem te faz despertar esse teu génio maroto que te habita. E chamando-me para perto de ti, para que te olhe bem a masturbares-te. Por mim. Para mim.

Devagar, vou para perto. Empurro-te as mãos para longe do mastro erguido, bradando, não tanto para te provocar mas mais porque o meu âmago, que não sentes mas cuja humidade trespassa já as cuecas de renda negra, já me transtorna os sentidos despertos e tento dominar a custo a vontade de me empalar em ti negando-me o prazer do espectáculo.

Vejo, no teu esgar safado, que percebeste o meu gesto, e tentas sentir-me o desejo por debaixo da diminuta roupa. Não te vou deixar! Quero dominar, tenho-as calçadas, as luvas que tanto gostas. Por isso, sinto-me no poder. E a embriaguez leva-me a explorar-te a pele com a lingua destemida, centímetro por centímetro, vendo-te contorcer de ansiedade, desejo, impotência e uma tentativa frustada de me agarrar os mamilos, erectos. Nem penses, hoje és meu, neste momento faço-te sofrer debaixo dos meus beijos, da minha língua, da minha pele que se roça em ti e do meu peito que te busca o contacto desse teu falo, que pressiono e afago.

Gemes, rogas-me, todo tu és suor e paixão e queres-te enfiar em mim e possuir-me e abandonares-te à minha posse. Sim, hoje possuo-te. Podes penetrar-me, mas sou eu quem comanda esta dança.

Com um último beijo, solto-te os braços, que imediatamente encaminham as mãos para o soutien, desprendendo-o com a mestria dos anos em que o conheces, e em seguida me desprendem das cuecas molhadas com o cheiro do meu sexo carente. Carente de ti.

Subo-te, torturo-te um pouco mais, esfregando-te no suco, mostrando o quanto te desejo. Bem o sabes, mas gosto que o sintas assim, pele na pele. Para que saibas que agora e aqui o meu corpo e o teu se farão um só, disfrutando do prazer que acelera o sangue e explode nas sinapses do cérebro.

Enfio-me finalmente em ti, com um grito uníssono das nossas gargantas. Domino-te, peço-te que me sussurres ao ouvido que me queres assim, em ti montada, que me pertence este teu corpo e que queres que o faça desfazer em ondas de desejo. Que te cavalgue. Faço-o, devagar e depressa, devagar e depressa, ao meu ritmo, sabendo que é também assim que preferes, meu amor, que é assim mesmo que juntos vamos saboreando esta nossa dádiva, este receber.

Não me engano, uma vez mais.

Sinto-te o corpo teso por debaixo do meu e a tua voz sumida que me pede que me venha contigo, em ti, por ti, para ti, em simultâneo prazer, e abandono-me a uma última viagem, mais um vai-vém do corpo, mais um arranque, afundo-me toda em ti e.... gritamos abraçados, abafado o grito pelas bocas que se unem no instante final do orgasmo, sinto-te libertares-te em mim, estremece-me o corpo aos repelões, as ancas firmemente agarradas pelas tuas mãos, pressionadas contra ti, somos os dois, somos um, fazemo-nos um, assim...

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Summer night

Acordo sentindo-me desnorteada, molhada, oprimida.

Culpa deste calor que se abate sem perdão até desoras. Porque são, de facto, desoras – o despertador pisca, desnorteado também, perdido do tempo, sinal de que a electricidade deve ter faltado.

Olho para o tecto, invisível na penumbra. O calor impede-me de voltar a adormecer.

Respiro fundo, de forma lenta, calculada. Tentando dominar o inferno – porque não é apenas o calor exterior, da rua, intenso e pesado. É também o de dentro, ardente, quase doloroso.

Sim, doloroso. Porque sinto a tua falta e dói.
Porque te quero a meu lado, partilhando o silêncio e a noite escura, partilhando calor.
A ausência deita-se comigo, prendendo-me nas suas garras e quero ter-te aqui.
Tu, tu és mais do que o teu corpo mas também és o teu corpo. E ao pensar em ti, ao sonhar contigo é esse corpo que o meu corpo deseja.

Sei agora porque acordei – foi porque a dor se tornou forte demais.
Olho para mim mesma, para os contornos difusos do algodão que me cobre.
Os mamilos arrebitados fazem os seios túmidos parecer um par de tendas gémeas sobre um planalto. Um circo obscuro em que só eu sei o que se passa. Lá dentro. Cá dentro.
Só eu sei a fome devoradora que me queima o ventre e me faz sufocar.

Acabo por levantar-me, incapaz de permanecer deitada num leito onde não estás.
A (pouca) roupa cai molemente no chão. Desejaria tê-la tirado para ti.

Ponho a correr a água tépida e entro vagarosamente no cubículo do chuveiro. Deixando que a água corrente leve o suor pegajoso e a mágoa, cerro os olhos e encosto-me à parede.
Descontraída, a mente divaga e acabo por pensar de novo em ti, em quanto gostaria de te ter comigo ali mesmo, o teu corpo contra o meu, tocando, explorando, partilhando.

Quase sem dar por isso, as minhas mãos substituem-se às tuas, dolorosamente ausentes, percorrendo os caminhos que não tive que te ensinar naquela primeira e longínqua noite porque pareceste conhecê-los desde sempre, tal como conhecias todas as sinuosidades da minha alma há tanto tempo.
Navegam na minha pele, os meus dedos, como tu navegaste, sem astrolábio nem bússola, encontrando as rotas rumo ao sul do meu corpo. Ali aportam, mergulham no lago invertido oculto pelo monte - verdadeiro mar interior de fogo – e me arrepiam, me fazem morder as costas da outra mão sufocando um gemido, me tornam ainda mais evidente, mais premente todo o desejo que tenho de ti.

Molhada e insatisfeita envolvo-me no roupão, querendo que fora teu o abraço que o tecido turco me oferece, querendo que fora o teu peito a apoiar-me as costas em vez da fria rigidez da parede.
Já sentada na cama, passo a mão pelos lençóis onde os nossos corpos nunca se encontraram, pelas almofadas que nunca acolheram os nossos suspiros e olho para as paredes que nunca ecoaram os nossos beijos.

Deito o meu corpo, lavado de fresco mas vazio do teu calor, preparada – mas nunca pronta - para mais uma noite que não vai dar-me grande descanso.

Mais uma noite sem ti.