quarta-feira, 27 de maio de 2009

out of control


terça-feira, 26 de maio de 2009

Imprevisto

6 da madrugada.
Espreguiçou-se de olhos semicerrados. Lá fora continuava a chover.
Virou-se na cama e olhou para ele, ainda adormecido, e sorriu recordando-se da noite anterior.

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Perto da hora do almoço o telemóvel dela zumbiu. “Hoje tenho a tarde livre. Queres ir tomar um café?”
Conheciam-se há anos. Desde o início se estabelecera entre eles uma afinidade cujos contornos nunca tinham sido bem delineados e sempre tinham sabido mais da vida pessoal um do outro do que os restantes membros do grupo de amigos – doenças, chatices no trabalho, amores e desamores partilhados por email ou messenger. Mas nos últimos tempos as mensagens terminavam com “Beijos” em vez de “Abraços”.
Respondeu-lhe à mensagem: “Vou estar num seminário. Só me despacho lá para as 6.”
Novo zumbido: “Fica para a próxima, então. Beijos”
Durante toda a tarde esteve no seminário alheada. Não conseguia ter a atenção completamente focada na apresentação embora o assunto fosse do maior interesse para si. Passava já das seis e debatiam ainda alguns casos práticos quando o telemóvel voltou a zumbir: “Estou cá fora à tua espera”
Tomou algumas notas de forma apressada, atamancou papéis, folhetos, canetas e tudo o resto na pasta azul e saiu. Ele estava parado no exterior, junto às portas de vidro.
“Trouxeste chapéu?”
“Não, ficou no carro ... quando cheguei ainda não estava a chover.”
Riu-se. “Dou-te boleia, então...”
O chapéu era grande mas uma goteira maldosa acertou-lhe com um pingo mesmo no interior da gola alta. “Raios! Já me molhei!”
“Que mania que vocês têm, esses saltos finos... vais ficar com um preso na calçada não tarda.” Suspirou olhando para ela de lado. “Vá, anda cá.”
Passou-lhe o braço em volta dos ombros, aconchegando-a debaixo do chapéu.
“Cuidado com as poças. Não vais querer estragar essas botinhas todas chiques ...”

Entre risos chegaram ao centro comercial ali próximo. Sentaram-se partilhando um café, palavras, sorrisos e muitos olhares sobre o silêncio cúmplice.
“Onde deixaste o carro?”
“Na oficina. Vim de transportes.”
“Queres que te dê boleia?”
“Vinha a contar que oferecesses ...”
Saíram de braço dado. A chuva parara como se tomasse fôlego para novos avanços.
“Não conheço bem a zona onde moras”.
“Eu indico-te o caminho.”
Ao fim de várias curvas e desvios ela confessou-se perdida. “Vamos ver como é que vou voltar para casa!”
Estacionaram em frente à casa dele, junto a uma árvore. A chuva voltara a cair impiedosamente.
“Bem, estás entregue.”
“Telefona-me quando estiveres em casa para saber que chegaste bem, ok?”
“Claro.”
Aproximaram-se para um beijo rápido de despedida – que não aconteceu porque as bocas se aproximaram demasiado num choque de narizes e os lábios se colaram sem se querer separar, afastando-se apenas pelo tempo suficiente para respirarem.
A mão dele pousou-lhe na face e deslizou pelo pescoço, ombro abaixo até ao seio. Voltou a descer, insinuando-se por baixo da blusa de malha e acariciando-lhe a pele nua. Ela abandonava-se às suas carícias, esquecida do tempo na intensidade do beijo, as mãos segurando-lhe ternamente a face.
“Não quero parar mas aqui estamos um bocado mal ... queres subir?”
Ela riu-se languidamente: “Sim ... quero”.
Endireitou-se compondo a roupa enquanto ele saía e dava a volta ao carro com o chapéu na mão. “Não quero te molhes ... por fora“.
Abraçados, atravessaram a estrada. Subiram as escadas e imobilizaram-se junto à porta.
“Não tinha planeado nada disto, sabes?”
“Calculo ... eu também não.”
Beijou-o levemente e mordeu-lhe o lábio enquanto premia o corpo contra o dele. Sentiu-lhe o sexo avolumar-se contra a pélvis. Encostado à parede e enquanto procurava a fechadura com a chave deslizou a outra mão pela coxa dela até ao traseiro firme, agarrando-o com força.
“Provocadora ...”
“Chiu ... demoras muito a abrir a porta?”
Conseguiu finalmente acertar com a fechadura e deslizaram para a penumbra do apartamento. Ajudou-a a tirar o casaco e pendurá-lo no cabide da entrada. Ainda de costas, sentiu as mãos dela rodear-lhe a cintura e a cabeça pousar-lhe no ombro.
“Mudaste de ideias? Se não quiseres ...”
“Não é isso. Tens que compreender, nunca fiz nada disto. Sempre fui a menina bem comportada, casa-trabalho-casa, casei-me, divorciei-me e pronto, sem flirts de ocasião, sem aventuras sexuais. Mas contigo perco o controle de mim mesma.”

Virou-se e encarou-a.
“Podemos ficar apenas sentados um pouco, conversar. E depois logo se vê.”
“Não. Já perdemos demasiado tempo e não quero perder nem mais um segundo!”
Domou a ansiedade dela com mais um beijo. As mãos, agora sem urgência, levantaram-lhe a blusa e ajudaram-na a retirá-la. Ela abriu-lhe a camisa. Enquanto ela lhe desapertava as calças, libertou-a do soutien acetinado e olhando com intensidade agarrou-lhe os seios com as mãos em concha como se tivesse recebido um presente.
As pernas dela tremiam enquanto se encostava ao móvel da entrada. Fez-lhe escorregar as calças, que ele empurrou com o pé. Olhando-o nos olhos passou a mão pelo alto no interior dos boxers justos. Sem deixar de a olhar ele despiu-os sorrindo. Debruçou-se e beijou-lhe um mamilo e depois outro, explorando-os com a língua e fazendo-a suspirar.
Desceu com um joelho ao chão como se lhe prestasse honras. As mãos desceram dos seios para a cintura, abrindo o fecho e fazendo descer a saia pelas ancas.
Com imensa suavidade beijou-lhe a pele macia das coxas trementes enquanto os dedos puxavam a lingerie ambarina pernas abaixo até a retirar.
Olhou para cima. Ela tinha a cabeça descaída para trás, os seios retesados, túrgidos, os mamilos salientes.
Abriu-lhe as pernas e tocou-a, afastando os lábios grossos e ardentes do clítoris entumescido. Os dedos da mão direita deslizaram e penetraram-na, encontrando uma lagoa oculta de verdadeira lava ardente. Ela arfava. Retirando a mão fez-lhe subir a coxa e penetrou-a novamente, agora com a língua ávida em movimentos rápidos, circulares, exploratórios. Agora ela gemia baixinho, as mãos crispadas na beira do móvel, a cabeça tombada e os olhos cerrados. Ele pôs-se em pé e aproveitando a posição dela penetrou-a assim mesmo, uma vez e outra, e outra, e outra, e outra, incessante como um martelo pneumático. No auge da excitação ela sufocou um grito e levantando a outra perna rodeou-lhe a cintura com ela, abrindo-se totalmente para ele, para o seu desejo, movendo-se em sintonia até ambos chegarem ao cume do êxtase.

Mas a fome de ambos era avassaladora, de tantos anos acumulados e reprimidos. Ela pegou-lhe na mão e perguntando-lhe onde era o quarto levou-o até à cama. Fê-lo sentar-se de pernas abertas, ajoelhou-se diante dele e tomou-lhe o falo com os lábios sedentos, gulosos, obrigando-o a voltar a acordar. Depressa estava erecto, orgulhoso e faminto. Fazendo-o deitar-se de costas ela montou-o, levando-o a subir quase até ao píncaro do prazer – e parando aí. Com ar desafiador virou-se de costas e colocou-se de gatas, oferecendo-se-lhe. Assoberbado pelo desejo ele agarrou-lhe as ancas e entrou completamente nela, sem medo, sem compaixão, sentindo-se cada vez mais próximo do clímax enquanto ela soltava gemidos que quase pareciam uivos.
No momento do orgasmo, em comunhão suprema, ambos gritaram.
Depois tombaram sobre os lençóis, exaustos, partilhando a magia. Adormecendo num ápice.

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Ele abriu os olhos e descobriu-a a fitá-lo.
“Dormiste bem?”
“Lindamente”
“Queres tomar o pequeno almoço ou ...”
“Quero-te a ti. Só.”
Beijaram-se.
Entre os lençóis os corpos nus voltaram a encontrar-se e a magia voltou a acontecer ...

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Motel

O seio dela subia e descia, no torpor ritmado da respiração adormecida.
À meia luz do quarto, naquela madrugada fria de Janeiro, a pele morena parecia brilhar, iluminada pelo rasgo de lua espreitando timidamente pela cortina da janela do motel.
Lenta e gulosamente, ele olhou-a, relembrando a noite anterior.
Só de pensar crescia-lhe velozmente o desejo por entre as pernas, nascendo de novo a vontade de possuir aquele corpo, aquela fêmea que se lhe unia em desejo, aberta e húmida.
Tinha-a possuído, uma e outra vez, até ambos sentirem o suor como uma segunda pele e o cansaço lhes toldar o olhar.
E, no entanto, poucas horas passadas, mal acordado e olhando-a assim, com o basto cabelo negro lançado na almofada e o corpo maduro atirado na cama, percorria-o já a fome de mais uma vez a fazer sua.
Cuidadosamente, colocou os dedos, ao de leve, no estômago liso. Ela não se moveu, perdida talvez em sonhos aconchegantes.
Sem um som, ele moveu-se com cuidado, colocando-se por cima do corpo dela, mas sem lhe tocar... os dedos subiram ao seio que cantava à lua, iniciando o toque. Meio a dormir, ela sentiu-se tocada, reconhecendo imediatamente o calor, a geometria daquela pele.
Afastando-lhe docemente as pernas, ao mesmo tempo que intensificava a pressão dos dedos no peito, ele soube que ela havia acordado. O corpo dela, quente e ainda dormente, aconchegava-se às suas carícias, contorcendo-se ligeiramente, num imperceptível sinal do gozo antecipado.
Molhando os lábios, ele começou a desenhar traços de saliva na barriga dela. Os dedos desceram-lhe às virilhas, passando ao de leve. O corpo nervoso dela denunciou o desejo que se acumulava. Continuava de olhos cerrados, mas a tensão era já visivel na postura de convite que as pernas, abertas, faziam.
Desceu a língua, mais. Movimentos espirais humedeciam-lhe (como se fosse preciso, molhada como ela estava, pronta, de imediato, para o receber no seu colo!) o sexo, desciam os dedos, abriam-na mais...
Num repente, enfiou-lhe os dedos, sentindo o corpo dela arquear-se de imediato. O prazer que lhe sentia enrijeceu-lhe o sexo e acabou de o enlouquecer. Gostava de a sentir assim, nas suas mãos, massa de barro para ele moldar no seu desejo.
Com a língua, massajou-lhe o clitóris, e sentiu-a gemer. Ela agarrou-lhe na cabeça com força, encostando-o mais contra si, misto de pedido e ordem, excitando-o. Era agora ela quem se arqueava facilitando a penetração dos dedos e a língua que, cada vez mais depressa e com mais força, a enlouquecia.
Sentia-a estremecer, era altura.
Não conseguia mais esperar.
Separou-se dela perseguido por um meio queixume da sua boca, e imediatamente lhe abriu com força as pernas, penetrando-a sem aviso. Ela gritou, mas no seu grito ecoava o nome dele e todo o desejo que lhe consumia o corpo.
Finalmente, abriu os olhos, para lhe pedir, sem palavras, que a deixasse ser a mestra, e ele o aluno.
Sorrindo, ele deitou-se docemente na cama, puxando-a para cima de si, e sentindo-a enterrar-se na carne molhada do seu sexo.
Puxando-lhe as mãos para trás, ela fechou os olhos e iniciou a sua dança, que ele tão bem conhecia. Cada centímetro do seu corpo entregue ao acto de ter e dar prazer, cada pedaço de pele transpirando o desejo que lhe tinha.
Juntos, perdidos, uma vez mais, subiram a escalada febril até ao orgasmo, num grito surdo de mistura de sabores, sentidos e vontades, vagueando no limbo embriagante do prazer...
Acabada a dança, corpos exaustos, lado a lado, desenham o futuro com os dedos das mãos...

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Black Velveteen


O corpo dela era uma língua de fogo negra, contorcendo-se na pista.
Cobria-lhe a pele, como uma luva de dedos delicados, calças e corpete de cabedal, que quase pareciam fazer parte do seu corpo, não fosse o prateado do fecho, aberto até ao peito farto e que espreitava, enfadado e desafiante (como uma promessa) de dentro do decote profundo.
Alheia à análise detalhada dos olhos gulosos do macho que a mirava do fundo da pista, ela dançava, preenchida por música e sensualidade. Em cada gesto, a entrega ao torpor do som. A anca balouçava num ritmo crescente, como cobra a hipnotizar quem se atrevesse a olhá-la segunda vez. Perdida, suada, embalada, ela dançava. E contorcia-se.
Ele sentia cada subida de anca como um convite, chegava-lhe como uma onda de prazer antecipado, um gosto do que se quer e se deseja e ainda não é nosso, uma mensagem em código morse que era apenas e somente para ele. Como um íman, um holofote no meio da noite, um sinal.
Passando por um amontoado de corpos que se namoravam em posturas, toques e sabores, chegou até ela, que de olhos fechados pressentiu o perigo e a onda de puro frémito que o acompanhava. Sentiu, de súbito, as mãos dele numa urgência do seu corpo, acompanhando o ondular da anca. Era doce o toque, calmo, mas escondia o desejo de posse, a pura fome dos sentidos. Também ela o queria, e o namorava (in)discretamente a partir daquele canto da discoteca, enviando-lhe códices de desejo através da pista.
O contacto dos dedos dele no seu corpo foi como uma corrente eléctrica que lhe eriçou a penugem leve do corpo, fazendo-a estremecer. Deitou a cabeça para trás, num claro convite ao mergulho dos lábios no pescoço nú, enquanto sentia crescer em si a mão do desejo.
Abrindo os olhos, fitou-o, num mudo apelo à proximidade máscula do seu corpo. Ele acolheu a sua súplica num olhar guloso e expectante e, pegando-lhe na mão, conduziu-a devagar para o carro vermelho que esperava na porta da discoteca.
Voaram pelas ruas sem trânsito, contornando ocasionais vielas escuras e feias, até chegar à porta de casa dele. Sem palavras, sem combinarem, começaram a explorar-se mal se fechou a porta de entrada nas suas costas, com um beijo urgente e sem prelúdios trocado nas línguas molhadas, pressentindo o abismo.
Abraçados na descoberta do prazer dos sentidos, começaram a dança da nudez mútua, as línguas a percorrer o corpo ainda inexplorado, traçando na pele gotas húmidas de saliva. As costas dela sentiram o toque frio e áspero da parede enquanto os dedos do seu amante se dirigiam inexoravelmente para o centro húmido entre as suas pernas, que o aguardava em ansiedade. Estremecendo com o penetrar urgente e forte dos dedos no seu interior, ela abraçou-o e procurou a língua dele, puxando a outra mão para o seio túrgido, contorcendo-se nervosamente.
À medida que crescia a avidez no corpo de ambos e se deleitavam com a luxúria dos sentidos, ela procurou o sexo hasteado do companheiro, afagando-o com os dedos que brincavam na pele, encostando-o ao seu próprio sexo, húmido como uma lagoa limpa.
Este contacto ritmado fê-los perder o controlo, tão dolorosamente mantido até ali. Abrindo-lhe as pernas, ele enterrou-se nela com força, com poder, transtornado pela necessidade da posse, da entrega, do desejo que nunca antes havia sentido assim, como uma ordem impossível de vencer.
Ela recebeu-o com um gemido surdo de prazer, invadida no seu centro, rendida à loucura.
Penetrando-a uma e outra vez, com as pernas dela fortemente enroladas na sua cintura e as bocas coladas a gemer, sentiu o orgasmo cada vez mais perto... e quando ela se contorceu contra ele, soltando um grito rouco, o corpo em espamos, lançou-se com ela nesse frémito urgente, nessa viagem dos sentidos, nessa partilha de corpo e alma e pele e músculos, todo ele dentro dela, toda ela aberta em recebimento e dádiva, os dois jazendo em ondas de prazer....

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Tease 2

As minhas pernas tremem e começo a ficar com frio apesar das tuas mãos serem calorosas. Ris-te e abraças-me de encontro ao teu corpo, mantendo-me quente. Já me custa um pouco estar assim sentada; deixa-me levantar.
As pernas estão bambas e deslizo para o chão, derreada. Foi uma cavalgada valente...
Ris-te de novo, fazes pouco do meu cansaço e deitas-te ao meu lado. Os teus olhos brilham de puro gozo ao apertares-me a ponta do nariz e perguntas se estou pronta para mais. Olho para baixo ... estou cansada mas tu é que ainda não estás pronto para outra. Agora sou eu que me rio de ti mas com um sorriso maroto dizes que não demora muito a rearmar os canhões.

Ficamos assim, deitados frente a frente com sorrisos patetas, as mãos de um na cintura do outro, as pernas encostadas e os joelhos brincando à apanhada.
É verdade então, és mesmo um satirozinho esgalgado e já estás novamente faminto de desejo, rolas para cima de mim, num repente puxas-me as coxas para cima e penetras-me na boa velha posição de missionário, moves as ancas de forma diabólica e velocidade desigual fazendo-me gemer de irritação, louca de desejo por te querer todo dentro de mim ; continuas no entanto a fazer de propósito, umas vezes devagar e outras depressa mas sempre sem entrar totalmente, lanço um grunhido e cravo-te as unhas nas costas - vais ter umas marcas terríveis daqui a algumas horas - mas continuas a provocar-me só com a pontinha até me veres revirar os olhos e penetrar-me por completo, bem fundo, bem fundo, venho-me sem me conseguir conter e ris-te de satisfação ...

Empurro-te para trás e não páras de rir, sentas-te mas faço-te deitar de costas, perdes o sorriso quando agarro nesse falo molhado de mim e o devoro, a mão segura firmemente e acompanha o movimento da boca para cima e para baixo, a língua sempre mexendo ao longo da carne quente, começas a perder o controle e é a minha vingança ao parar de repente. Agora sou eu quem se ri.

Vamos mudar um bocadinho ... isto será gramática ou jogo do galo? Não interessa, vamos desenhar um X, ficas aí deitadinho de pernas afastadas, eu viro-me de lado e cruzo uma perna por cima da tua em arco, como uma ponte, apoiada num cotovelo deslizo o corpo na tua direcção e oriento-te na direcção do túnel quente, é hora de jogar outra vez. Encaixamo-nos de forma exacta, geometria prevista nos nossos genes? Não sei, não sei mais nada neste momento a não ser como me mover contigo e de encontro a ti, agora sou eu quem controla a velocidade e tu quem se irrita, aperto o esfíncter desta outra boca ardente como se te engolisse, sentes-me apertar-te e largar-te várias vezes, movo-me assincronizadamente até que já eu própria mal me contenho, deixa-te ir, vá, desiste de controlar, vem-te, vem-te, eu é que já não aguento, prendemos as mãos e nem consigo sufocar meio grito que mais parece um uivo, satisfeito por teres conseguido conter-te mais do que eu vens-te de seguida inundando-me com o teu sémen morno e grunhes também.

O X desfaz-se de forma lenta como um biscoito derretendo-se em leite quente. As pernas afastam-se, gatinho na tua direcção e deixo-me cair ao teu lado sobre o braço aberto que me aguarda, pouso a cabeça no teu ombro e olho para ti, olhos nos olhos, míopes mas capazes de ver a alma um do outro, sorris e beijas-me docemente; digo num suspiro que te amo e fecho os olhos.
Adormeço no teu abraço. Quero que seja sempre assim.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Tease 1



Anda, vem até mim. Isso mesmo. À minha frente.
Deixa-me tirar-te a gravata e segurar as tuas faces entre as minhas mãos. Quero olhar bem dentro dos teus olhos enquanto me aproximo. Como brilham ... e como me vejo a brilhar no reflexo!

Shh ... não fales. Quero beijar-te, tocar docemente os teus lábios com a ponta da língua antes de devorar essa tua boca. Perco-me nos teus beijos, sabias?
Sabes que gosto que me abraces ... sim, quero sentir as tuas mãos deslizar à volta do meu tronco, rodear-me a sob a blusa e subir pelas minhas costas.

Enquanto te debates com o colchete as minhas mãos descem até à tua cintura e enquanto te puxo a camisa para fora das calças a minha boca desliza até o teu pescoço, a língua brinca com o lóbulo da tua orelha e mordisco-te levemente.
Sei que gostas. Quero sentir-te arrepiar.
Ajuda-me a tirar a camisola e eu desabotoo-te a camisa. Quero sentir o teu peito contra o meu enquanto livras os meus seios da sua prisão de polyester e os rodeias com as tuas mãos, beijo-te ao mesmo tempo que abro o fecho e faço deslizar as tuas calças pelas coxas, puxando-te os quadris de encontro aos meus.

Beija-me, beija-me com voracidade como um homem esfomeado devoraria um bife – sou a refeição do teu desejo que já se nota tão bem – percorre o meu pescoço com os teus lábios e desce até aos seios túrgidos e arrepiados, sinto a tua língua no mamilo e o arrepio aumenta, mordisca-o, sim, suga-me com força o seio enquanto a tua mão aperta o outro, os dedos brincando com o pequeno botão que espera a sua vez. As minhas mãos crispam-se nas tuas costas deixando marcas rosadas, a cabeça descai-me para trás e os olhos tornam-se esgazeados.
Voltas ao meu pescoço, aos meus lábios sedentos ao mesmo tempo que as tuas mãos escorregam para dentro da lingerie já húmida, uma mão agarra-me firmemente a nádega enquanto a outra desliza pela frente até os dedos penetrarem bem dentro da fenda quente e alagada ... as minhas mãos descem pelas tuas ancas, o teu membro proeminente chama por mim e eu liberto-o do seu envólucro de algodão, cravo os dedos da mão esquerda no teu traseiro enquanto a direita brinca com a dura evidência da tua masculinidade.
Os arfares perdem-se entre dentes porque as bocas não se largam, a lingerie está agora bastante molhada e torna-se desconfortável e os teus boxers prendem-te as coxas, mais vale tirar já tudo, que achas? Bem me parecia que concordavas...

Agora fazes o que eu te disser ... não protestes. Vais gostar, tenho a certeza. Senta-te nesta cadeira de braços e não te movas. Ou queres que te amarre?
Pego no meu lenço de seda negra e vendo-te os olhos. A humidade escorre-me pelas coxas enquanto me ajoelho à tua frente e te afasto as pernas. Aproximo-me mais e os meus seios pesados e contraídos pousam-te na pélvis. Beijo-te o peito, roço lentamente a face no teu tronco e o teu falo orgulhosamente erecto fica rodeado de calor. Apoio as mãos e ergo-me um pouco. Procuro mais uma vez os teus lábios, não me canso de te saborear. Mordisco-te a orelha, o ombro, beijo-te o peito e o abdómen. Vendado, não vês nada mas adivinhas para onde me dirijo, não é? Sabe-lo tão bem como eu.
As minhas mãos rodeiam agora a tua carne túmida e palpitante, seguro-o como pegaria num vaso precioso, observo-o com carinho antes de beijar levemente a ponta redonda. Sobressaltas-te? Já? Então e agora, enquanto sentes a ponta da língua fazendo desenhos na carne? Já começas a silvar entredentes ... e a língua continua a fazer desenhos de saliva, subindo e rodeando, descendo até aos gémeos e companheiros, olha como estão contraídos, visito-os também e a língua volta a subir a montanha, o teu falo é agora o meu gelado suculento que saboreio gulosamente, a minha boca absorve-te e liberta-te novamente, vezes e vezes de seguida, sinto-te estremecer e ouço-te arfar, engulo-te uma última vez por inteiro até te sentir bem no fundo da garganta, prendendo-te por alguns segundos e ouvindo-te gemer baixinho, afasto a boca por fim e observo-te com prazer, duro e erecto como nunca, brilhante de saliva - embora não seja preciso mais lubrificante de tanta humidade que me escorre da fenda ígnea e faminta. Seguro-te as pernas e uno-te os joelhos, afasto as coxas e sento-me em cima de ti – basta indicar ao pequeno mineiro onde está a gruta e ele entra, devagar porque assim o quero, deixo-me deslizar e encharco-te com o meu suco, brinco com o pavimento pélvico como um anel norueguês voltando a subir e desta vez descendo rapidamente e bem até ao fundo, movo os quadris para trás e para a frente apenas, agora ligeiramente em círculos sentindo-te a toda a superfície do quente túnel em que penetraste, tão duro e tão fundo.

Não resistes e agarras-me os seios com as mãos, sou agora a tua amazona e cavalgo como se fosse fêmea de centauro, as mãos nos teus ombros, subindo e descendo, arfando e gemendo com um sorriso, cada vez mais depressa até sentir que se aproxima a quente vaga do orgasmo, seguro-a, seguro-a, vem-te também, vem-te que ao sentir-te inundar-me o ventre desse suco quente liberto a onda e venho-me contigo, arranco-te a seda negra dos olhos num repente e beijo-te, beijo e continuo a beijar-te dizendo vezes sem conta que te amo.