6 da madrugada.
Espreguiçou-se de olhos semicerrados. Lá fora continuava a chover.
Virou-se na cama e olhou para ele, ainda adormecido, e sorriu recordando-se da noite anterior.
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Perto da hora do almoço o telemóvel dela zumbiu. “Hoje tenho a tarde livre. Queres ir tomar um café?”
Conheciam-se há anos. Desde o início se estabelecera entre eles uma afinidade cujos contornos nunca tinham sido bem delineados e sempre tinham sabido mais da vida pessoal um do outro do que os restantes membros do grupo de amigos – doenças, chatices no trabalho, amores e desamores partilhados por email ou messenger. Mas nos últimos tempos as mensagens terminavam com “Beijos” em vez de “Abraços”.
Respondeu-lhe à mensagem: “Vou estar num seminário. Só me despacho lá para as 6.”
Novo zumbido: “Fica para a próxima, então. Beijos”
Durante toda a tarde esteve no seminário alheada. Não conseguia ter a atenção completamente focada na apresentação embora o assunto fosse do maior interesse para si. Passava já das seis e debatiam ainda alguns casos práticos quando o telemóvel voltou a zumbir: “Estou cá fora à tua espera”
Tomou algumas notas de forma apressada, atamancou papéis, folhetos, canetas e tudo o resto na pasta azul e saiu. Ele estava parado no exterior, junto às portas de vidro.
“Trouxeste chapéu?”
“Não, ficou no carro ... quando cheguei ainda não estava a chover.”
Riu-se. “Dou-te boleia, então...”
O chapéu era grande mas uma goteira maldosa acertou-lhe com um pingo mesmo no interior da gola alta. “Raios! Já me molhei!”
“Que mania que vocês têm, esses saltos finos... vais ficar com um preso na calçada não tarda.” Suspirou olhando para ela de lado. “Vá, anda cá.”
Passou-lhe o braço em volta dos ombros, aconchegando-a debaixo do chapéu.
“Cuidado com as poças. Não vais querer estragar essas botinhas todas chiques ...”
Entre risos chegaram ao centro comercial ali próximo. Sentaram-se partilhando um café, palavras, sorrisos e muitos olhares sobre o silêncio cúmplice.
“Onde deixaste o carro?”
“Na oficina. Vim de transportes.”
“Queres que te dê boleia?”
“Vinha a contar que oferecesses ...”
Saíram de braço dado. A chuva parara como se tomasse fôlego para novos avanços.
“Não conheço bem a zona onde moras”.
“Eu indico-te o caminho.”
Ao fim de várias curvas e desvios ela confessou-se perdida. “Vamos ver como é que vou voltar para casa!”
Estacionaram em frente à casa dele, junto a uma árvore. A chuva voltara a cair impiedosamente.
“Bem, estás entregue.”
“Telefona-me quando estiveres em casa para saber que chegaste bem, ok?”
“Claro.”
Aproximaram-se para um beijo rápido de despedida – que não aconteceu porque as bocas se aproximaram demasiado num choque de narizes e os lábios se colaram sem se querer separar, afastando-se apenas pelo tempo suficiente para respirarem.
A mão dele pousou-lhe na face e deslizou pelo pescoço, ombro abaixo até ao seio. Voltou a descer, insinuando-se por baixo da blusa de malha e acariciando-lhe a pele nua. Ela abandonava-se às suas carícias, esquecida do tempo na intensidade do beijo, as mãos segurando-lhe ternamente a face.
“Não quero parar mas aqui estamos um bocado mal ... queres subir?”
Ela riu-se languidamente: “Sim ... quero”.
Endireitou-se compondo a roupa enquanto ele saía e dava a volta ao carro com o chapéu na mão. “Não quero te molhes ... por fora“.
Abraçados, atravessaram a estrada. Subiram as escadas e imobilizaram-se junto à porta.
“Não tinha planeado nada disto, sabes?”
“Calculo ... eu também não.”
Beijou-o levemente e mordeu-lhe o lábio enquanto premia o corpo contra o dele. Sentiu-lhe o sexo avolumar-se contra a pélvis. Encostado à parede e enquanto procurava a fechadura com a chave deslizou a outra mão pela coxa dela até ao traseiro firme, agarrando-o com força.
“Provocadora ...”
“Chiu ... demoras muito a abrir a porta?”
Conseguiu finalmente acertar com a fechadura e deslizaram para a penumbra do apartamento. Ajudou-a a tirar o casaco e pendurá-lo no cabide da entrada. Ainda de costas, sentiu as mãos dela rodear-lhe a cintura e a cabeça pousar-lhe no ombro.
“Mudaste de ideias? Se não quiseres ...”
“Não é isso. Tens que compreender, nunca fiz nada disto. Sempre fui a menina bem comportada, casa-trabalho-casa, casei-me, divorciei-me e pronto, sem flirts de ocasião, sem aventuras sexuais. Mas contigo perco o controle de mim mesma.”
Virou-se e encarou-a.
“Podemos ficar apenas sentados um pouco, conversar. E depois logo se vê.”
“Não. Já perdemos demasiado tempo e não quero perder nem mais um segundo!”
Domou a ansiedade dela com mais um beijo. As mãos, agora sem urgência, levantaram-lhe a blusa e ajudaram-na a retirá-la. Ela abriu-lhe a camisa. Enquanto ela lhe desapertava as calças, libertou-a do soutien acetinado e olhando com intensidade agarrou-lhe os seios com as mãos em concha como se tivesse recebido um presente.
As pernas dela tremiam enquanto se encostava ao móvel da entrada. Fez-lhe escorregar as calças, que ele empurrou com o pé. Olhando-o nos olhos passou a mão pelo alto no interior dos boxers justos. Sem deixar de a olhar ele despiu-os sorrindo. Debruçou-se e beijou-lhe um mamilo e depois outro, explorando-os com a língua e fazendo-a suspirar.
Desceu com um joelho ao chão como se lhe prestasse honras. As mãos desceram dos seios para a cintura, abrindo o fecho e fazendo descer a saia pelas ancas.
Com imensa suavidade beijou-lhe a pele macia das coxas trementes enquanto os dedos puxavam a lingerie ambarina pernas abaixo até a retirar.
Olhou para cima. Ela tinha a cabeça descaída para trás, os seios retesados, túrgidos, os mamilos salientes.
Abriu-lhe as pernas e tocou-a, afastando os lábios grossos e ardentes do clítoris entumescido. Os dedos da mão direita deslizaram e penetraram-na, encontrando uma lagoa oculta de verdadeira lava ardente. Ela arfava. Retirando a mão fez-lhe subir a coxa e penetrou-a novamente, agora com a língua ávida em movimentos rápidos, circulares, exploratórios. Agora ela gemia baixinho, as mãos crispadas na beira do móvel, a cabeça tombada e os olhos cerrados. Ele pôs-se em pé e aproveitando a posição dela penetrou-a assim mesmo, uma vez e outra, e outra, e outra, e outra, incessante como um martelo pneumático. No auge da excitação ela sufocou um grito e levantando a outra perna rodeou-lhe a cintura com ela, abrindo-se totalmente para ele, para o seu desejo, movendo-se em sintonia até ambos chegarem ao cume do êxtase.
Mas a fome de ambos era avassaladora, de tantos anos acumulados e reprimidos. Ela pegou-lhe na mão e perguntando-lhe onde era o quarto levou-o até à cama. Fê-lo sentar-se de pernas abertas, ajoelhou-se diante dele e tomou-lhe o falo com os lábios sedentos, gulosos, obrigando-o a voltar a acordar. Depressa estava erecto, orgulhoso e faminto. Fazendo-o deitar-se de costas ela montou-o, levando-o a subir quase até ao píncaro do prazer – e parando aí. Com ar desafiador virou-se de costas e colocou-se de gatas, oferecendo-se-lhe. Assoberbado pelo desejo ele agarrou-lhe as ancas e entrou completamente nela, sem medo, sem compaixão, sentindo-se cada vez mais próximo do clímax enquanto ela soltava gemidos que quase pareciam uivos.
No momento do orgasmo, em comunhão suprema, ambos gritaram.
Depois tombaram sobre os lençóis, exaustos, partilhando a magia. Adormecendo num ápice.
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Ele abriu os olhos e descobriu-a a fitá-lo.
“Dormiste bem?”
“Lindamente”
“Queres tomar o pequeno almoço ou ...”
“Quero-te a ti. Só.”
Beijaram-se.
Entre os lençóis os corpos nus voltaram a encontrar-se e a magia voltou a acontecer ...