terça-feira, 7 de julho de 2009

O jogo


Mais uma noite de calor nos lençóis, voltas sobre o meu corpo, a pele que ferve por dentro e por fora.

Olho o relógio em desespero, são quase duas da manhã e o sono não me habita, é este calor que me transtorna o pensar e me fere a pele em brasa.

Levanto-me, derrotada, na cama fica o registo desta batalha insana contra mim mesma, a roupa em desalinho e o meu corpo vincado do burburinho.

Nua, sabe-me bem o contacto frio do chão nos pés.

Quero ver a noite, sentir a brisa, olhar a Lua, deixar as estrelas banharem-me a pele. Vou à varanda para que o meu corpo respire a noite.

Sinto-me livre e leve, ali, a brisa acariciando-me como se fossem os meus dedos correndo pelos montes e vales de que sou feita.

A breve carícia desperta-me o desejo, o desejo de me dar prazer, e encosto-me à mesa de madeira, abrindo as pernas ao frescor da noite. Correm-me as mãos pelo corpo sedento, descobrem-me os mamilos erectos, imagino a tua boca a mimar-me o peito, assim desperto.

Os meus olhos desviam-se lentamente para a direita, e eis que o descubro, o meu mirone, colado à janela, olhando-me com gula.

Leio-lhe o desejo nas linhas do corpo, na forma como, sem pudor, me devora, me abarca no seu olhar. Estaquei, surpresa, mas os seus lábios formam a palavra "continua", e as suas mãos mostram-me o sexo (ainda dentro de umas calças brancas) erecto e desperto pela minha presença.

Algo na magia da noite me embriaga e resolvo deixar-me ir, guiada pelo seu desejo carente.

O espectáculo agora é para ele, o meu Apolo moreno e musculado que me segue, salivando, os dedos que me correm pelo corpo, desejando que fossem os dele. Por isso, dou o meu melhor.

Estou excitada, sinto-o, e os meus dedos confirmam-no, ao tocar ao de leve no meu sexo, molhado como não podia deixar de ser. Imagino os dedos do estranho brincando com aquele pénis que me quer, imagino-o dentro de mim. Será pecado masturbar-me assim, para gáudio de um estranho, desejando o seu calor nesta minha pele que me queima, a sua boca no meu sexo húmido? O pensamento pecaminoso excita-me ainda mais, apura os meus sentidos.

Não sei, sei que, lentamente, vou brincando comigo mesma, massajo o clitóris com os dedos, em movimentos circulares, devagar e depressa, até quase me vir, parando sempre na altura certa.

Viro-me de frente para ele enquanto mergulho dois dedos fundo dentro de mim, vejo-o colar-se ao vidro e retirar o sexo duro para fora das calças, está possuído, acaricia-se com força, uma mão firmemente apoiada no vidro, como se me quisesse tocar.

Vê-lo assim deixa-me em ponto de rebuçado. A minha mão explora fundo no meu sexo, cada vez mais depressa, enquanto a outra aperta o meu seio. Olho-o fixamente, com desejo. O meu corpo treme, sei que não vou aguentar muito mais esta dança, sei que me pede o orgasmo, a libertação.

Estou quase lá, estou quase... na recta final, retiro os dedos de dentro de mim e obtenho um prazer máximo massajando com força o meu clitóris, o que me faz libertar toda a tensão, em espasmos sucessivos. Não páro ainda, é o gozo total, quase até à dor.

Ele está-se a vir também, comigo. Vejo-o contorcer-se e ejacular contra o vidro, oferecendo-se-me. Ficamos assim, num olhar, numa ligação perdida na noite.

Com um beijo soprado, despedimo-nos, enfim.

(e agora espero que desças as escadas, passes a rua e me venhas tocar à porta, me tomes assim nua nos braços, me cubras de beijos e me possuas no chão da sala, tal é a loucura que nos tomou hoje... não tardarás, é certo... estes nossos jogos estão cada vez mais sedutores, cada vez melhores, e a brincadeira acabou de começar, por hoje....)

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