O corpo dela era uma língua de fogo negra, contorcendo-se na pista.
Cobria-lhe a pele, como uma luva de dedos delicados, calças e corpete de cabedal, que quase pareciam fazer parte do seu corpo, não fosse o prateado do fecho, aberto até ao peito farto e que espreitava, enfadado e desafiante (como uma promessa) de dentro do decote profundo.
Alheia à análise detalhada dos olhos gulosos do macho que a mirava do fundo da pista, ela dançava, preenchida por música e sensualidade. Em cada gesto, a entrega ao torpor do som. A anca balouçava num ritmo crescente, como cobra a hipnotizar quem se atrevesse a olhá-la segunda vez. Perdida, suada, embalada, ela dançava. E contorcia-se.
Ele sentia cada subida de anca como um convite, chegava-lhe como uma onda de prazer antecipado, um gosto do que se quer e se deseja e ainda não é nosso, uma mensagem em código morse que era apenas e somente para ele. Como um íman, um holofote no meio da noite, um sinal.
Passando por um amontoado de corpos que se namoravam em posturas, toques e sabores, chegou até ela, que de olhos fechados pressentiu o perigo e a onda de puro frémito que o acompanhava. Sentiu, de súbito, as mãos dele numa urgência do seu corpo, acompanhando o ondular da anca. Era doce o toque, calmo, mas escondia o desejo de posse, a pura fome dos sentidos. Também ela o queria, e o namorava (in)discretamente a partir daquele canto da discoteca, enviando-lhe códices de desejo através da pista.
O contacto dos dedos dele no seu corpo foi como uma corrente eléctrica que lhe eriçou a penugem leve do corpo, fazendo-a estremecer. Deitou a cabeça para trás, num claro convite ao mergulho dos lábios no pescoço nú, enquanto sentia crescer em si a mão do desejo.
Abrindo os olhos, fitou-o, num mudo apelo à proximidade máscula do seu corpo. Ele acolheu a sua súplica num olhar guloso e expectante e, pegando-lhe na mão, conduziu-a devagar para o carro vermelho que esperava na porta da discoteca.
Voaram pelas ruas sem trânsito, contornando ocasionais vielas escuras e feias, até chegar à porta de casa dele. Sem palavras, sem combinarem, começaram a explorar-se mal se fechou a porta de entrada nas suas costas, com um beijo urgente e sem prelúdios trocado nas línguas molhadas, pressentindo o abismo.
Abraçados na descoberta do prazer dos sentidos, começaram a dança da nudez mútua, as línguas a percorrer o corpo ainda inexplorado, traçando na pele gotas húmidas de saliva. As costas dela sentiram o toque frio e áspero da parede enquanto os dedos do seu amante se dirigiam inexoravelmente para o centro húmido entre as suas pernas, que o aguardava em ansiedade. Estremecendo com o penetrar urgente e forte dos dedos no seu interior, ela abraçou-o e procurou a língua dele, puxando a outra mão para o seio túrgido, contorcendo-se nervosamente.
À medida que crescia a avidez no corpo de ambos e se deleitavam com a luxúria dos sentidos, ela procurou o sexo hasteado do companheiro, afagando-o com os dedos que brincavam na pele, encostando-o ao seu próprio sexo, húmido como uma lagoa limpa.
Este contacto ritmado fê-los perder o controlo, tão dolorosamente mantido até ali. Abrindo-lhe as pernas, ele enterrou-se nela com força, com poder, transtornado pela necessidade da posse, da entrega, do desejo que nunca antes havia sentido assim, como uma ordem impossível de vencer.
Ela recebeu-o com um gemido surdo de prazer, invadida no seu centro, rendida à loucura.
Penetrando-a uma e outra vez, com as pernas dela fortemente enroladas na sua cintura e as bocas coladas a gemer, sentiu o orgasmo cada vez mais perto... e quando ela se contorceu contra ele, soltando um grito rouco, o corpo em espamos, lançou-se com ela nesse frémito urgente, nessa viagem dos sentidos, nessa partilha de corpo e alma e pele e músculos, todo ele dentro dela, toda ela aberta em recebimento e dádiva, os dois jazendo em ondas de prazer....
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