Levantou-se mais uma vez de madrugada.
Ia fumar para o terraço. Da mesma forma que dormia. Nu.
Nas últimas noites vinha com um sorrisinho e ia directo para a casa de banho. A água corria durante alguns minutos. Deitava-se e adormecia de imediato, pensando que eu estava no meu quinto sono.
Decidi segui-lo.
Os degraus frios fizeram-me arrepiar, erguendo duas saliências sob o leve babydoll.
Saí para o terraço. Lá estava ele, as costas musculadas que eu adorava arranhar e as nádegas firmes onde eu cravava os dedos no momento do êxtase expostas ao luar. Excitou-me vê-lo assim, como uma magnífica estátua grega.
Ouviu os meus passos e virou-se, apagando o cigarro.
- Vens ver o espectáculo?
- Qual espectáculo?
- Ah, é verdade, não sabias ... chega aqui e olha para baixo.
No prédio ao lado havia também um terraço a um nível inferior ao nosso. Era visível apenas aos nossos olhos, não havendo outros edifícios à mesma altura. Costumávamos cumprimentar o casal que morava ali nas longas tardes de churrascadas preguiçosas.
Mas às quatro da manhã não havia churrascada.
Em vez disso vimo-los, sobre uma espreguiçadeira, num bailado horizontal, tango em surdina de corpos nus.
- É isto que tens vindo ver?
- Só por acaso. Nem devem ter percebido que eu estou aqui em cima - disse, sorrindo de forma marota. - E há alturas que chega a um ponto em que não me contenho ...
Estavam explicadas as idas à casa de banho.
- Todas as noites?
- Sempre que não chove.
Parecia hipnotizado, como se não se desse conta da sua masculinidade subitamente erecta. Apercebeu-se de que o mirava e fixou-me, os olhos transformados em fundos poços de desejo.
Num momento o outro casal tinha deixado de existir. Beijou-me, as mãos ansiosas numa fúria lúbrica que já não vivenciava há algum tempo debatendo-se com o delicado tecido da combinação.
- Olha que nos vêem...
- Não há mais ninguém que nos veja aqui. Aqueles dois devem continuar demasiado ocupados para olhar cá para cima.
Calou-se, debruçando-se sobre o meu pescoço como um vampiro. Sem bem saber como, os calções do babydoll tinham já deslizado até ao chão e chutei-os para o lado enquanto os seus dedos se afundavam sob o meu triângulo alagado.
Nunca o seu desejo fora tão sôfrego, a um ponto roçando o brutal. Vi-me inadvertidamente a corresponder àquela intensidade na mesma proporção. Enquanto me penetrava de encontro à parede, mordia-lhe o ombro numa fúria quase canibal. Contive um grito, subitamente ciente da possibilidade de sermos ouvidos.
Empurrando-o, fi-lo cair sobre uma das cadeiras do terraço e desci sobre as suas virilhas ferventes, devorando-o com lábios, língua e dentes e fazendo-o agarrar com força o plástico branco. Uivou.
Obrigou-me a parar e levantou-se, os olhos faiscando. Nunca me parecera tão animalescamente belo, tão excitante. Num só gesto, rasgou-me a combinação e era agora a sua boca que me enlouquecia, sugando, mordendo-me os mamilos que doíam de tão túmidos. Fez-me virar de costas, as mãos afastando-me as nádegas enquanto o torso poderoso me obrigava a debruçar sobre o parapeito.
Em baixo, no outro terraço, tinham-se apercebido de nós e sorriam abertamente, olhando para cima.
Agora que eles sabiam não me contive. Quando o senti penetrar-me naquela posição soltei um grito sufocado, cerrando os olhos, as mãos cravadas no parapeito. Quando os voltei a abrir, ainda sob o ímpeto sincopado que me estremecia por inteiro, tinham mudado de posição, virando a espreguiçadeira de forma a que ambos pudessem assistir enquanto ela o montava, valquíria nua na noite.
Mirávamo-nos mutuamente, uns e outros criando um feedback positivo de excitação ao rubro.
Cheguei ao clímax primeiro, demasiado fora de controlo para conseguir contê-lo. Ouvi-o logo a seguir nas minhas costas e senti o fluxo quente nas entranhas.
Segundos depois - tanto poderiam ser dez como oitocentos - ouvimo-los atingindo também o cume do prazer, finalmente libertos do silêncio.
Deixámo-nos ficar durante alguns minutos assim, olhando uns para os outros com ar entontecido, após partilhar uma experiência extraordinária.
Por fim eles levantaram-se e, acenando, voltaram para dentro. Fizemos o mesmo.
Já de volta ao leito ouvi-o rindo baixinho.
- Queres fazer isto mais vezes?
- Por mim, é já amanhã...
Há muito tempo que não dormia tão bem.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
terça-feira, 7 de julho de 2009
O jogo
Mais uma noite de calor nos lençóis, voltas sobre o meu corpo, a pele que ferve por dentro e por fora.
Olho o relógio em desespero, são quase duas da manhã e o sono não me habita, é este calor que me transtorna o pensar e me fere a pele em brasa.
Levanto-me, derrotada, na cama fica o registo desta batalha insana contra mim mesma, a roupa em desalinho e o meu corpo vincado do burburinho.
Nua, sabe-me bem o contacto frio do chão nos pés.
Quero ver a noite, sentir a brisa, olhar a Lua, deixar as estrelas banharem-me a pele. Vou à varanda para que o meu corpo respire a noite.
Sinto-me livre e leve, ali, a brisa acariciando-me como se fossem os meus dedos correndo pelos montes e vales de que sou feita.
A breve carícia desperta-me o desejo, o desejo de me dar prazer, e encosto-me à mesa de madeira, abrindo as pernas ao frescor da noite. Correm-me as mãos pelo corpo sedento, descobrem-me os mamilos erectos, imagino a tua boca a mimar-me o peito, assim desperto.
Os meus olhos desviam-se lentamente para a direita, e eis que o descubro, o meu mirone, colado à janela, olhando-me com gula.
Leio-lhe o desejo nas linhas do corpo, na forma como, sem pudor, me devora, me abarca no seu olhar. Estaquei, surpresa, mas os seus lábios formam a palavra "continua", e as suas mãos mostram-me o sexo (ainda dentro de umas calças brancas) erecto e desperto pela minha presença.
Algo na magia da noite me embriaga e resolvo deixar-me ir, guiada pelo seu desejo carente.
O espectáculo agora é para ele, o meu Apolo moreno e musculado que me segue, salivando, os dedos que me correm pelo corpo, desejando que fossem os dele. Por isso, dou o meu melhor.
Estou excitada, sinto-o, e os meus dedos confirmam-no, ao tocar ao de leve no meu sexo, molhado como não podia deixar de ser. Imagino os dedos do estranho brincando com aquele pénis que me quer, imagino-o dentro de mim. Será pecado masturbar-me assim, para gáudio de um estranho, desejando o seu calor nesta minha pele que me queima, a sua boca no meu sexo húmido? O pensamento pecaminoso excita-me ainda mais, apura os meus sentidos.
Não sei, sei que, lentamente, vou brincando comigo mesma, massajo o clitóris com os dedos, em movimentos circulares, devagar e depressa, até quase me vir, parando sempre na altura certa.
Viro-me de frente para ele enquanto mergulho dois dedos fundo dentro de mim, vejo-o colar-se ao vidro e retirar o sexo duro para fora das calças, está possuído, acaricia-se com força, uma mão firmemente apoiada no vidro, como se me quisesse tocar.
Vê-lo assim deixa-me em ponto de rebuçado. A minha mão explora fundo no meu sexo, cada vez mais depressa, enquanto a outra aperta o meu seio. Olho-o fixamente, com desejo. O meu corpo treme, sei que não vou aguentar muito mais esta dança, sei que me pede o orgasmo, a libertação.
Estou quase lá, estou quase... na recta final, retiro os dedos de dentro de mim e obtenho um prazer máximo massajando com força o meu clitóris, o que me faz libertar toda a tensão, em espasmos sucessivos. Não páro ainda, é o gozo total, quase até à dor.
Ele está-se a vir também, comigo. Vejo-o contorcer-se e ejacular contra o vidro, oferecendo-se-me. Ficamos assim, num olhar, numa ligação perdida na noite.
Com um beijo soprado, despedimo-nos, enfim.
(e agora espero que desças as escadas, passes a rua e me venhas tocar à porta, me tomes assim nua nos braços, me cubras de beijos e me possuas no chão da sala, tal é a loucura que nos tomou hoje... não tardarás, é certo... estes nossos jogos estão cada vez mais sedutores, cada vez melhores, e a brincadeira acabou de começar, por hoje....)
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Threesome
Falavas nisso há tanto tempo, nesse teu desejo embriagado, que te inflamava o olhar.
Sussurravas-me os detalhes ao ouvido enquanto me possuías, e nesses momentos apoderava-se de ti o fervor da vontade nua e crua, e penetravas-me com mais força. E eu gemia deliciada e totalmente possuída por ti.
Cresceu em mim, sem me aperceber, um desejo igual ao teu.
A ideia, que de início me parecia impossível de concretizar, tomou raízes, criei-lhe gosto, e surpreendi-me também a tecer cenários imaginados de fantasia, enquanto os meus dedos rebeldes procuravam o meu centro, uma e outra vez, satisfazendo-me. E mais uma vez gemia, e mais uma vez gritava.
Comecei a tentar adivinhar nos rostos que me rodeavam possíveis companheiros de uma noite de loucuras, mas abanava a cabeça num misto de vergonha e desespero por não poder concretizar aquela febre que já me consumia, como a ti.
Uma noite, uma saída de amigas, vi-me num bar que me era desconhecido e a dançar solta numa pista, ao ritmo quente escolhido pelo ouvido experiente do DJ.
Abri os olhos, e lá estava ela, a olhar-me. Galar-me, mais seria o termo. Tentei afastar o meu olhar mas ele caía sempre, irrequieto, para o canto onde estava a mulher de corpo mulato e generoso (belo, belíssimo!) e grandes olhos cinzentos que me comia assim, à distância. Sentia o desejo dela como um campo eléctrico em seu redor, que me fazia húmida e gelatinosa no vestido branco que me cobria. Tive até medo que fosse visível para as minhas amigas a forma como, de repente, me vi a dançar apenas para ela, provocantemente, sensualmente.
Pensei-me louca, levei as mãos à cara e decidi-me por uma rápida visita ao WC, onde me poderia compor.
Mal tinha atravessado a porta e estava a passar água pelo pescoço que ardia, sentia-a atrás de mim. Sem me tocar, disse-me "quero-te e sei que também me queres. mas se me negares, vou-me embora sem te tocar sequer".
Sem levantar os olhos, sussurrei-lhe em voz rouca que sim, que a queria, que não sabia o que de mim se havia apoderado, que eu não era homossexual e mais uma data de baboseiras em forma de desculpa que ela calou, sem apelo nem agravo, colando a boca à minha, e explorando-me com a língua, enquanto os dedos doces me procuravam as virilhas.
Com todo o discernimento que pude reunir, e já ébria de desejo por aquele corpo moreno, pedi-lhe para se guardar, porque a queria partilhar contigo. Concordou e dirigimo-nos apressadamente ao meu carro, que conduzi até casa, enquanto ela me tocava onde conseguia, durante o caminho.
Abri a porta de mão dada com a minha mulher-desejo, chamei por ti. Vieste, meio tonto de sono, tronco nu e boxers, e num olhar compreendeste tudo. Olhámos-te, rimos meio em surdina, como meninas travessas preparadas para uma diabrura. Vi como o teu corpo se começou a agitar para o sexo (conheço-te bem).
Juntos, de mãos dadas, subimos para o quarto, em penumbra. Ficaste a um canto, de "castigo", enquanto a minha amiga me tocava com as suas mãos experientes e sábias, adivinhando-me o querer.
Desceu no meu corpo, abrindo-me as pernas e afundando a língua no meu centro, enquanto me contorcia sem nada pensar. Querias isto, afinal quem goza mais, quem gosta mais sou eu, estou louca, quero tocar-lhe, peço-lhe, encaixamos uma em cima da outra em cada direcção, exploramos os sexos alheios, agora estou completamente entregue e perdida e sinto a tua respiração ritmada no canto.
És convidado a participar, ela lambe-te o sexo hasteado, enquanto te beijo na boca e tens uma mão na cabeça da "nossa" mulher e outra no meu peito de mamilos erectos. Gostas, vejo-te na fome com que me consomes os lábios e me apertas o seio. Gosto que gostes.
Ordenas-lhe que me coma de novo, eu deito-me na cama, à beirinha, de pernas bem abertas, adivinhando já o fogo que nos vai consumir. Ela, deliciada comigo e o meu gosto a fêmea "virgem" nestas coisas, enfia bem a língua no meu clítoris, rodeia-o com os lábios, enquanto me penetra com os dedos. Gemo, é demais.
Louco, tu penetra-la por detrás, apoiado nas suas ancas largas. O gozo que vês no meu olhar inebria-te, endoidece-te, e ela pede-te que não pares, e que vás fundo, e diz uma data de obscenidades que nos põem a ponto de explodir. Estamos os três a gozar ao máximo, bem se vê.
Com um último empurrão, vens-te nela, ao mesmo tempo que ela se contorce no orgasmo simultâneo. Vendo-vos, abandono-me à língua dela, e o meu corpo arqueia no momento do orgasmo que me toma conta.
Os três, juntos. Como um.
Threesome, at last.
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Noite especial
A minha noite especial.
Como combinado hoje deixo-me apenas ficar, recebendo prazer.
As tuas mãos são suaves, pequenas. Diria até delicadas.
Tocas-me docemente, traçando invisíveis tatuagens Maori na minha face, fazendo de mim guerreira tribal entre os teus braços.
São sábias, essas mãos. Conhecem-me os relevos e as concavidades, todas as curvas e contracurvas arredondadas que me compõem. Conhecem-me tão bem como o teu Eu irrequieto me conhece a alma, por dentro e por fora. O que está à vista e o que permanece oculto, todas as pequenitas coisas que só dou a conhecer a quem quero.
E eu quero-te a ti. Por isso me revelo, me desvelo, me descubro diante dos teus olhos e me abro sob o teu toque como uma flor aos raios de sol, me curvo sob essa tua mão suave como uma erva ao sabor da brisa.
Os teus lábios pousam sobre as minhas pálpebras fechadas, seguindo a rota antes percorrida pelos teus dedos. Afloram-me o lóbulo da orelha e despertam um arrepio que me faz contorcer sob a mão que desce rumo ao meu ventre depois de ter subido caminhos em espiral nos meus seios frementes.
Conheces-me bem, conheces este corpo que pulsa junto ao teu e cada toque se torna electrizante. A tua mão desvia-se para a minha coxa enquanto a tua boca toma a minha de assalto. Sim, de assalto - contrastando com toda a suavidade até agora demonstrada a tua língua mostra-se ávida, revelando uma fome imperiosa. Os dedos desviam-se agora insidiosamente para o centro do meu desejo, rodeando, explorando.
O meu braço emerge da letargia rodeando-te a cintura, premindo o teu corpo quente contra o meu. A tua boca afasta-se e ao abrir os olhos vejo a tua mirada fixa, verrumando-me a alma com os olhos enquanto me penetras no corpo com essa mão delicada e sapiente.
Solto um gemido e arqueio as costas sem deixar de te fitar. Continuas a olhar-me fixamente, a absorver todos os reflexos de desejo no meu olhar e exploras-me por dentro desencadeando um torvelinho nas minhas entranhas.
"Beija-me", sussurro, e sorrindo inclinas a cabeça sobre o meu ombro enquanto a tua mão continua a descobrir os meus húmidos segredos.
A tua língua traça agora rendados de saliva num mamilo endurecido, os teus dedos passeiam massajando o clítoris agora túmido onde se parece concentrar uma verdadeira tempestade eléctrica. Gemo, um queixume rouco quando me mordiscas o ventre, a tua mão provocando-me com desenhos entre os arbustos molhados. Tremo, ansiosa pela posse, mas como um estratega militar mandas um novo espião infiltrar-se no vulcão quase em erupção entre as minhas coxas. Insidiosa, a tua língua mostra-se uma exploradora tão hábil como os teus dedos, levando-me a um paroxismo de desejo em crescendo.
Páras. Recupero o fôlego e olho para ti. A tua mão (tão delicada, tão sábia) segura agora o teu brinquedo. Sorris. Sei que é agora e abro as coxas para ti, arfando em antecipação.
Penetras-me finalmente com o falo de borracha morna, direitinho ao ponto que homem nenhum descobre. Enquanto os teus seios se comprimem sobre os meus, levas-me ao clímax e eu grito por fim, um longo grito de prazer que te faz rir de satisfação.
Amanhã, minha querida, é a tua noite, é a minha vez de te fazer gritar assim ...
Como combinado hoje deixo-me apenas ficar, recebendo prazer.
As tuas mãos são suaves, pequenas. Diria até delicadas.
Tocas-me docemente, traçando invisíveis tatuagens Maori na minha face, fazendo de mim guerreira tribal entre os teus braços.
São sábias, essas mãos. Conhecem-me os relevos e as concavidades, todas as curvas e contracurvas arredondadas que me compõem. Conhecem-me tão bem como o teu Eu irrequieto me conhece a alma, por dentro e por fora. O que está à vista e o que permanece oculto, todas as pequenitas coisas que só dou a conhecer a quem quero.
E eu quero-te a ti. Por isso me revelo, me desvelo, me descubro diante dos teus olhos e me abro sob o teu toque como uma flor aos raios de sol, me curvo sob essa tua mão suave como uma erva ao sabor da brisa.
Os teus lábios pousam sobre as minhas pálpebras fechadas, seguindo a rota antes percorrida pelos teus dedos. Afloram-me o lóbulo da orelha e despertam um arrepio que me faz contorcer sob a mão que desce rumo ao meu ventre depois de ter subido caminhos em espiral nos meus seios frementes.
Conheces-me bem, conheces este corpo que pulsa junto ao teu e cada toque se torna electrizante. A tua mão desvia-se para a minha coxa enquanto a tua boca toma a minha de assalto. Sim, de assalto - contrastando com toda a suavidade até agora demonstrada a tua língua mostra-se ávida, revelando uma fome imperiosa. Os dedos desviam-se agora insidiosamente para o centro do meu desejo, rodeando, explorando.
O meu braço emerge da letargia rodeando-te a cintura, premindo o teu corpo quente contra o meu. A tua boca afasta-se e ao abrir os olhos vejo a tua mirada fixa, verrumando-me a alma com os olhos enquanto me penetras no corpo com essa mão delicada e sapiente.
Solto um gemido e arqueio as costas sem deixar de te fitar. Continuas a olhar-me fixamente, a absorver todos os reflexos de desejo no meu olhar e exploras-me por dentro desencadeando um torvelinho nas minhas entranhas.
"Beija-me", sussurro, e sorrindo inclinas a cabeça sobre o meu ombro enquanto a tua mão continua a descobrir os meus húmidos segredos.
A tua língua traça agora rendados de saliva num mamilo endurecido, os teus dedos passeiam massajando o clítoris agora túmido onde se parece concentrar uma verdadeira tempestade eléctrica. Gemo, um queixume rouco quando me mordiscas o ventre, a tua mão provocando-me com desenhos entre os arbustos molhados. Tremo, ansiosa pela posse, mas como um estratega militar mandas um novo espião infiltrar-se no vulcão quase em erupção entre as minhas coxas. Insidiosa, a tua língua mostra-se uma exploradora tão hábil como os teus dedos, levando-me a um paroxismo de desejo em crescendo.
Páras. Recupero o fôlego e olho para ti. A tua mão (tão delicada, tão sábia) segura agora o teu brinquedo. Sorris. Sei que é agora e abro as coxas para ti, arfando em antecipação.
Penetras-me finalmente com o falo de borracha morna, direitinho ao ponto que homem nenhum descobre. Enquanto os teus seios se comprimem sobre os meus, levas-me ao clímax e eu grito por fim, um longo grito de prazer que te faz rir de satisfação.
Amanhã, minha querida, é a tua noite, é a minha vez de te fazer gritar assim ...
quarta-feira, 3 de junho de 2009
As luvas

Pedes-me que as calce, em voz de queixume.
Elas, as malditas, o teu objecto de desejo, pousam discretamente, como que alheias, na mesinha de bambú que mora na meia penumbra do canto.
Gosto de ver-te o desejo na boca, gosto de sentir-te o pedido no olhar.
Gosto que me gostes com elas calçadas, quando me sinto forte e te excito assim, na pose musculada de quem se defende, da mulher capaz e dura, de armadura negra colada ao corpo.
Por isso, faço-te a vontade, que já te vejo crescer na língua que me estendes.
Lentamente, calço-as, e as mãos assim trajadas transformam-me o corpo em felina, e simulo os gestos que tanto anseias por ver, porque te arrepia a pele de ébano e te transforma em labareda, que me incendeia o desejo. Simulo-me assim, a forte, a má.
E vejo como as tuas mãos te começam a percorrer o peito e os dedos te fogem para esse teu mastro de macho no cio e iniciam o jogo do prazer a que te dedicas, sem pudor, à minha frente, dizendo-me que sou eu quem te faz despertar esse teu génio maroto que te habita. E chamando-me para perto de ti, para que te olhe bem a masturbares-te. Por mim. Para mim.
Devagar, vou para perto. Empurro-te as mãos para longe do mastro erguido, bradando, não tanto para te provocar mas mais porque o meu âmago, que não sentes mas cuja humidade trespassa já as cuecas de renda negra, já me transtorna os sentidos despertos e tento dominar a custo a vontade de me empalar em ti negando-me o prazer do espectáculo.
Vejo, no teu esgar safado, que percebeste o meu gesto, e tentas sentir-me o desejo por debaixo da diminuta roupa. Não te vou deixar! Quero dominar, tenho-as calçadas, as luvas que tanto gostas. Por isso, sinto-me no poder. E a embriaguez leva-me a explorar-te a pele com a lingua destemida, centímetro por centímetro, vendo-te contorcer de ansiedade, desejo, impotência e uma tentativa frustada de me agarrar os mamilos, erectos. Nem penses, hoje és meu, neste momento faço-te sofrer debaixo dos meus beijos, da minha língua, da minha pele que se roça em ti e do meu peito que te busca o contacto desse teu falo, que pressiono e afago.
Gemes, rogas-me, todo tu és suor e paixão e queres-te enfiar em mim e possuir-me e abandonares-te à minha posse. Sim, hoje possuo-te. Podes penetrar-me, mas sou eu quem comanda esta dança.
Com um último beijo, solto-te os braços, que imediatamente encaminham as mãos para o soutien, desprendendo-o com a mestria dos anos em que o conheces, e em seguida me desprendem das cuecas molhadas com o cheiro do meu sexo carente. Carente de ti.
Subo-te, torturo-te um pouco mais, esfregando-te no suco, mostrando o quanto te desejo. Bem o sabes, mas gosto que o sintas assim, pele na pele. Para que saibas que agora e aqui o meu corpo e o teu se farão um só, disfrutando do prazer que acelera o sangue e explode nas sinapses do cérebro.
Enfio-me finalmente em ti, com um grito uníssono das nossas gargantas. Domino-te, peço-te que me sussurres ao ouvido que me queres assim, em ti montada, que me pertence este teu corpo e que queres que o faça desfazer em ondas de desejo. Que te cavalgue. Faço-o, devagar e depressa, devagar e depressa, ao meu ritmo, sabendo que é também assim que preferes, meu amor, que é assim mesmo que juntos vamos saboreando esta nossa dádiva, este receber.
Não me engano, uma vez mais.
Sinto-te o corpo teso por debaixo do meu e a tua voz sumida que me pede que me venha contigo, em ti, por ti, para ti, em simultâneo prazer, e abandono-me a uma última viagem, mais um vai-vém do corpo, mais um arranque, afundo-me toda em ti e.... gritamos abraçados, abafado o grito pelas bocas que se unem no instante final do orgasmo, sinto-te libertares-te em mim, estremece-me o corpo aos repelões, as ancas firmemente agarradas pelas tuas mãos, pressionadas contra ti, somos os dois, somos um, fazemo-nos um, assim...
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Summer night
Acordo sentindo-me desnorteada, molhada, oprimida.
Culpa deste calor que se abate sem perdão até desoras. Porque são, de facto, desoras – o despertador pisca, desnorteado também, perdido do tempo, sinal de que a electricidade deve ter faltado.
Olho para o tecto, invisível na penumbra. O calor impede-me de voltar a adormecer.
Respiro fundo, de forma lenta, calculada. Tentando dominar o inferno – porque não é apenas o calor exterior, da rua, intenso e pesado. É também o de dentro, ardente, quase doloroso.
Sim, doloroso. Porque sinto a tua falta e dói.
Porque te quero a meu lado, partilhando o silêncio e a noite escura, partilhando calor.
A ausência deita-se comigo, prendendo-me nas suas garras e quero ter-te aqui.
Tu, tu és mais do que o teu corpo mas também és o teu corpo. E ao pensar em ti, ao sonhar contigo é esse corpo que o meu corpo deseja.
Sei agora porque acordei – foi porque a dor se tornou forte demais.
Olho para mim mesma, para os contornos difusos do algodão que me cobre.
Os mamilos arrebitados fazem os seios túmidos parecer um par de tendas gémeas sobre um planalto. Um circo obscuro em que só eu sei o que se passa. Lá dentro. Cá dentro.
Só eu sei a fome devoradora que me queima o ventre e me faz sufocar.
Acabo por levantar-me, incapaz de permanecer deitada num leito onde não estás.
A (pouca) roupa cai molemente no chão. Desejaria tê-la tirado para ti.
Ponho a correr a água tépida e entro vagarosamente no cubículo do chuveiro. Deixando que a água corrente leve o suor pegajoso e a mágoa, cerro os olhos e encosto-me à parede.
Descontraída, a mente divaga e acabo por pensar de novo em ti, em quanto gostaria de te ter comigo ali mesmo, o teu corpo contra o meu, tocando, explorando, partilhando.
Quase sem dar por isso, as minhas mãos substituem-se às tuas, dolorosamente ausentes, percorrendo os caminhos que não tive que te ensinar naquela primeira e longínqua noite porque pareceste conhecê-los desde sempre, tal como conhecias todas as sinuosidades da minha alma há tanto tempo.
Navegam na minha pele, os meus dedos, como tu navegaste, sem astrolábio nem bússola, encontrando as rotas rumo ao sul do meu corpo. Ali aportam, mergulham no lago invertido oculto pelo monte - verdadeiro mar interior de fogo – e me arrepiam, me fazem morder as costas da outra mão sufocando um gemido, me tornam ainda mais evidente, mais premente todo o desejo que tenho de ti.
Molhada e insatisfeita envolvo-me no roupão, querendo que fora teu o abraço que o tecido turco me oferece, querendo que fora o teu peito a apoiar-me as costas em vez da fria rigidez da parede.
Já sentada na cama, passo a mão pelos lençóis onde os nossos corpos nunca se encontraram, pelas almofadas que nunca acolheram os nossos suspiros e olho para as paredes que nunca ecoaram os nossos beijos.
Deito o meu corpo, lavado de fresco mas vazio do teu calor, preparada – mas nunca pronta - para mais uma noite que não vai dar-me grande descanso.
Mais uma noite sem ti.
Culpa deste calor que se abate sem perdão até desoras. Porque são, de facto, desoras – o despertador pisca, desnorteado também, perdido do tempo, sinal de que a electricidade deve ter faltado.
Olho para o tecto, invisível na penumbra. O calor impede-me de voltar a adormecer.
Respiro fundo, de forma lenta, calculada. Tentando dominar o inferno – porque não é apenas o calor exterior, da rua, intenso e pesado. É também o de dentro, ardente, quase doloroso.
Sim, doloroso. Porque sinto a tua falta e dói.
Porque te quero a meu lado, partilhando o silêncio e a noite escura, partilhando calor.
A ausência deita-se comigo, prendendo-me nas suas garras e quero ter-te aqui.
Tu, tu és mais do que o teu corpo mas também és o teu corpo. E ao pensar em ti, ao sonhar contigo é esse corpo que o meu corpo deseja.
Sei agora porque acordei – foi porque a dor se tornou forte demais.
Olho para mim mesma, para os contornos difusos do algodão que me cobre.
Os mamilos arrebitados fazem os seios túmidos parecer um par de tendas gémeas sobre um planalto. Um circo obscuro em que só eu sei o que se passa. Lá dentro. Cá dentro.
Só eu sei a fome devoradora que me queima o ventre e me faz sufocar.
Acabo por levantar-me, incapaz de permanecer deitada num leito onde não estás.
A (pouca) roupa cai molemente no chão. Desejaria tê-la tirado para ti.
Ponho a correr a água tépida e entro vagarosamente no cubículo do chuveiro. Deixando que a água corrente leve o suor pegajoso e a mágoa, cerro os olhos e encosto-me à parede.
Descontraída, a mente divaga e acabo por pensar de novo em ti, em quanto gostaria de te ter comigo ali mesmo, o teu corpo contra o meu, tocando, explorando, partilhando.
Quase sem dar por isso, as minhas mãos substituem-se às tuas, dolorosamente ausentes, percorrendo os caminhos que não tive que te ensinar naquela primeira e longínqua noite porque pareceste conhecê-los desde sempre, tal como conhecias todas as sinuosidades da minha alma há tanto tempo.
Navegam na minha pele, os meus dedos, como tu navegaste, sem astrolábio nem bússola, encontrando as rotas rumo ao sul do meu corpo. Ali aportam, mergulham no lago invertido oculto pelo monte - verdadeiro mar interior de fogo – e me arrepiam, me fazem morder as costas da outra mão sufocando um gemido, me tornam ainda mais evidente, mais premente todo o desejo que tenho de ti.
Molhada e insatisfeita envolvo-me no roupão, querendo que fora teu o abraço que o tecido turco me oferece, querendo que fora o teu peito a apoiar-me as costas em vez da fria rigidez da parede.
Já sentada na cama, passo a mão pelos lençóis onde os nossos corpos nunca se encontraram, pelas almofadas que nunca acolheram os nossos suspiros e olho para as paredes que nunca ecoaram os nossos beijos.
Deito o meu corpo, lavado de fresco mas vazio do teu calor, preparada – mas nunca pronta - para mais uma noite que não vai dar-me grande descanso.
Mais uma noite sem ti.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
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