sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Paris


Não estava nada à espera daquele situação, mas o sabor agridoce do inesperado e a excitação do completo proibido eram como um vórtice, aguilhoando-lhe o desejo.

Como de costume, vestira-se com um dos severos fatos do pai para assistir à restrita tertúlia literária no Café Parisiense, um antro político disfarçardo de respeitável ponto de encontro da sociedade de novos burgueses comerciantes, onde se discutia de tudo um pouco, entre copos da famosa Fada Verde, o absinto, que tinha o condão de embriagar, ao mesmo tempo que clareava os sentidos. A primeira vez que a bebera sentira o coração estalar no peito, de tal o cavalgar veloz e silencioso encetado no momento; no entanto, sabia-se incógnita na reunião literária, disfarçada de homem (sexo a que era permitida a frequência de tais lugares), pelo que guardou silêncio das sensações experimentadas e aparentou uma soberba indiferença à bebida. O estratagema resultou, e desde essa altura começaram as suas excursões nocturnas às tertúlias do Café, onde se embriagava de poesia, fumo e fadas verdes, que lhe dançavam frente aos olhos castanhos e grandes.

Nessa noite, o convidado de honra era um dos seus autores favoritos, que lhe vivia nos sonhos, pelo que tinha mesmo de o ver. Lia escondida no silêncio da noite os livros proibidos e banidos, surripiados da biblioteca do pai, devorando-os enquanto o corpo se excitava com as letras amanciadas pelas páginas.

Acabada a leitura, os homens começaram a dispersar, e ela aproveitara para se aproximar do autor daquelas missivas, falando-lhe. O olhar dele, hipnótico, pareceu atravessar a camisa de linho e deter-se justamente nos seios ainda tímidos, como que tocando-lhes. Seria possível que adivinhasse quem se escondia por detrás daquela máscara?

Seguira-o para uma pequena sala no interior do café, desnorteada e sem se saber senhora da sua vontade.

E fora lá que ele a derrubara sobre o sofá de tecido carcomido junto à parede, com um beijo incendiário que lhe obliterara a consciência e espicaçara o desejo a níveis insuportáveis. Ela queria-o, ó se queria. Sentira desde logo o desejo dele, urgente e másculo, mal escondido por debaixo das finas calças.

Puxara-o para si, abrindo-se, e ele iniciara os gestos de amor desapertando os botões, um a um, da camisa, ao mesmo tempo que os seus dedos lhe afastavam o cinto e abriam o fecho das calças. Desapertou-lhe depois o corpete, hábito do qual ela ainda não havia conseguido libertar-se, por muitos anos de uso que já lhe dera.

Inexperiente nas artes do sexo, ela foi aluna aplicada, aprendendo de cor o que o seu corpo já adivinhava e o desejo lhe sussurrava.

Lançou-lhe a boca ao pescoço e os dedos imitaram o gesto dele, insinuando-se por dentro das calças, encontrando um sexo duro e pronto para a devorar. Tocou-lhe, provocando um suspiro, que ele calou devorando-lhe os lábios.

Nús, olharam-se por um momento breve, após o que ele mergulhou no corpo dela, descobrindo-a. Deteve-se na curva perfeita dos seios, no perfume da barriga lisa, no interior das coxas macias, molhando-lhe o sexo (já húmido) com a língua. Ela, que havia lido histórias consideradas obscenas à sucapa dos pais, não se recordava daquelas artes que a faziam contorcer-se de prazer, mas depressa se deixou navegar pelo limbo da vontade.

Quando a viu fechar os olhos, ele penetrou-a, desvirginando-a com cuidado.

Encheu-se nela, encheu-se dela, guiando-a num mundo de prazer recém aprendido no sofá das traseiras de um qualquer café de Paris.

Juntos, cavalgaram-se até que o momento do orgasmo os uniu para além do espaço e do corpo dormente de gosto, o prazer líquido escorrendo da pele suada, os olhos num brilho demente.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Ao luar

Levantou-se mais uma vez de madrugada.
Ia fumar para o terraço. Da mesma forma que dormia. Nu.
Nas últimas noites vinha com um sorrisinho e ia directo para a casa de banho. A água corria durante alguns minutos. Deitava-se e adormecia de imediato, pensando que eu estava no meu quinto sono.

Decidi segui-lo.
Os degraus frios fizeram-me arrepiar, erguendo duas saliências sob o leve babydoll.
Saí para o terraço. Lá estava ele, as costas musculadas que eu adorava arranhar e as nádegas firmes onde eu cravava os dedos no momento do êxtase expostas ao luar. Excitou-me vê-lo assim, como uma magnífica estátua grega.
Ouviu os meus passos e virou-se, apagando o cigarro.
- Vens ver o espectáculo?
- Qual espectáculo?
- Ah, é verdade, não sabias ... chega aqui e olha para baixo.
No prédio ao lado havia também um terraço a um nível inferior ao nosso. Era visível apenas aos nossos olhos, não havendo outros edifícios à mesma altura. Costumávamos cumprimentar o casal que morava ali nas longas tardes de churrascadas preguiçosas.

Mas às quatro da manhã não havia churrascada.
Em vez disso vimo-los, sobre uma espreguiçadeira, num bailado horizontal, tango em surdina de corpos nus.
- É isto que tens vindo ver?
- Só por acaso. Nem devem ter percebido que eu estou aqui em cima - disse, sorrindo de forma marota. - E há alturas que chega a um ponto em que não me contenho ...
Estavam explicadas as idas à casa de banho.
- Todas as noites?
- Sempre que não chove.
Parecia hipnotizado, como se não se desse conta da sua masculinidade subitamente erecta. Apercebeu-se de que o mirava e fixou-me, os olhos transformados em fundos poços de desejo.
Num momento o outro casal tinha deixado de existir. Beijou-me, as mãos ansiosas numa fúria lúbrica que já não vivenciava há algum tempo debatendo-se com o delicado tecido da combinação.
- Olha que nos vêem...
- Não há mais ninguém que nos veja aqui. Aqueles dois devem continuar demasiado ocupados para olhar cá para cima.
Calou-se, debruçando-se sobre o meu pescoço como um vampiro. Sem bem saber como, os calções do babydoll tinham já deslizado até ao chão e chutei-os para o lado enquanto os seus dedos se afundavam sob o meu triângulo alagado.

Nunca o seu desejo fora tão sôfrego, a um ponto roçando o brutal. Vi-me inadvertidamente a corresponder àquela intensidade na mesma proporção. Enquanto me penetrava de encontro à parede, mordia-lhe o ombro numa fúria quase canibal. Contive um grito, subitamente ciente da possibilidade de sermos ouvidos.
Empurrando-o, fi-lo cair sobre uma das cadeiras do terraço e desci sobre as suas virilhas ferventes, devorando-o com lábios, língua e dentes e fazendo-o agarrar com força o plástico branco. Uivou.
Obrigou-me a parar e levantou-se, os olhos faiscando. Nunca me parecera tão animalescamente belo, tão excitante. Num só gesto, rasgou-me a combinação e era agora a sua boca que me enlouquecia, sugando, mordendo-me os mamilos que doíam de tão túmidos. Fez-me virar de costas, as mãos afastando-me as nádegas enquanto o torso poderoso me obrigava a debruçar sobre o parapeito.

Em baixo, no outro terraço, tinham-se apercebido de nós e sorriam abertamente, olhando para cima.
Agora que eles sabiam não me contive. Quando o senti penetrar-me naquela posição soltei um grito sufocado, cerrando os olhos, as mãos cravadas no parapeito. Quando os voltei a abrir, ainda sob o ímpeto sincopado que me estremecia por inteiro, tinham mudado de posição, virando a espreguiçadeira de forma a que ambos pudessem assistir enquanto ela o montava, valquíria nua na noite.
Mirávamo-nos mutuamente, uns e outros criando um feedback positivo de excitação ao rubro.
Cheguei ao clímax primeiro, demasiado fora de controlo para conseguir contê-lo. Ouvi-o logo a seguir nas minhas costas e senti o fluxo quente nas entranhas.
Segundos depois - tanto poderiam ser dez como oitocentos - ouvimo-los atingindo também o cume do prazer, finalmente libertos do silêncio.
Deixámo-nos ficar durante alguns minutos assim, olhando uns para os outros com ar entontecido, após partilhar uma experiência extraordinária.
Por fim eles levantaram-se e, acenando, voltaram para dentro. Fizemos o mesmo.

Já de volta ao leito ouvi-o rindo baixinho.
- Queres fazer isto mais vezes?
- Por mim, é já amanhã...
Há muito tempo que não dormia tão bem.

terça-feira, 7 de julho de 2009

O jogo


Mais uma noite de calor nos lençóis, voltas sobre o meu corpo, a pele que ferve por dentro e por fora.

Olho o relógio em desespero, são quase duas da manhã e o sono não me habita, é este calor que me transtorna o pensar e me fere a pele em brasa.

Levanto-me, derrotada, na cama fica o registo desta batalha insana contra mim mesma, a roupa em desalinho e o meu corpo vincado do burburinho.

Nua, sabe-me bem o contacto frio do chão nos pés.

Quero ver a noite, sentir a brisa, olhar a Lua, deixar as estrelas banharem-me a pele. Vou à varanda para que o meu corpo respire a noite.

Sinto-me livre e leve, ali, a brisa acariciando-me como se fossem os meus dedos correndo pelos montes e vales de que sou feita.

A breve carícia desperta-me o desejo, o desejo de me dar prazer, e encosto-me à mesa de madeira, abrindo as pernas ao frescor da noite. Correm-me as mãos pelo corpo sedento, descobrem-me os mamilos erectos, imagino a tua boca a mimar-me o peito, assim desperto.

Os meus olhos desviam-se lentamente para a direita, e eis que o descubro, o meu mirone, colado à janela, olhando-me com gula.

Leio-lhe o desejo nas linhas do corpo, na forma como, sem pudor, me devora, me abarca no seu olhar. Estaquei, surpresa, mas os seus lábios formam a palavra "continua", e as suas mãos mostram-me o sexo (ainda dentro de umas calças brancas) erecto e desperto pela minha presença.

Algo na magia da noite me embriaga e resolvo deixar-me ir, guiada pelo seu desejo carente.

O espectáculo agora é para ele, o meu Apolo moreno e musculado que me segue, salivando, os dedos que me correm pelo corpo, desejando que fossem os dele. Por isso, dou o meu melhor.

Estou excitada, sinto-o, e os meus dedos confirmam-no, ao tocar ao de leve no meu sexo, molhado como não podia deixar de ser. Imagino os dedos do estranho brincando com aquele pénis que me quer, imagino-o dentro de mim. Será pecado masturbar-me assim, para gáudio de um estranho, desejando o seu calor nesta minha pele que me queima, a sua boca no meu sexo húmido? O pensamento pecaminoso excita-me ainda mais, apura os meus sentidos.

Não sei, sei que, lentamente, vou brincando comigo mesma, massajo o clitóris com os dedos, em movimentos circulares, devagar e depressa, até quase me vir, parando sempre na altura certa.

Viro-me de frente para ele enquanto mergulho dois dedos fundo dentro de mim, vejo-o colar-se ao vidro e retirar o sexo duro para fora das calças, está possuído, acaricia-se com força, uma mão firmemente apoiada no vidro, como se me quisesse tocar.

Vê-lo assim deixa-me em ponto de rebuçado. A minha mão explora fundo no meu sexo, cada vez mais depressa, enquanto a outra aperta o meu seio. Olho-o fixamente, com desejo. O meu corpo treme, sei que não vou aguentar muito mais esta dança, sei que me pede o orgasmo, a libertação.

Estou quase lá, estou quase... na recta final, retiro os dedos de dentro de mim e obtenho um prazer máximo massajando com força o meu clitóris, o que me faz libertar toda a tensão, em espasmos sucessivos. Não páro ainda, é o gozo total, quase até à dor.

Ele está-se a vir também, comigo. Vejo-o contorcer-se e ejacular contra o vidro, oferecendo-se-me. Ficamos assim, num olhar, numa ligação perdida na noite.

Com um beijo soprado, despedimo-nos, enfim.

(e agora espero que desças as escadas, passes a rua e me venhas tocar à porta, me tomes assim nua nos braços, me cubras de beijos e me possuas no chão da sala, tal é a loucura que nos tomou hoje... não tardarás, é certo... estes nossos jogos estão cada vez mais sedutores, cada vez melhores, e a brincadeira acabou de começar, por hoje....)

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Threesome

Falavas nisso há tanto tempo, nesse teu desejo embriagado, que te inflamava o olhar.
Sussurravas-me os detalhes ao ouvido enquanto me possuías, e nesses momentos apoderava-se de ti o fervor da vontade nua e crua, e penetravas-me com mais força. E eu gemia deliciada e totalmente possuída por ti.
Cresceu em mim, sem me aperceber, um desejo igual ao teu.
A ideia, que de início me parecia impossível de concretizar, tomou raízes, criei-lhe gosto, e surpreendi-me também a tecer cenários imaginados de fantasia, enquanto os meus dedos rebeldes procuravam o meu centro, uma e outra vez, satisfazendo-me. E mais uma vez gemia, e mais uma vez gritava.
Comecei a tentar adivinhar nos rostos que me rodeavam possíveis companheiros de uma noite de loucuras, mas abanava a cabeça num misto de vergonha e desespero por não poder concretizar aquela febre que já me consumia, como a ti.
Uma noite, uma saída de amigas, vi-me num bar que me era desconhecido e a dançar solta numa pista, ao ritmo quente escolhido pelo ouvido experiente do DJ.
Abri os olhos, e lá estava ela, a olhar-me. Galar-me, mais seria o termo. Tentei afastar o meu olhar mas ele caía sempre, irrequieto, para o canto onde estava a mulher de corpo mulato e generoso (belo, belíssimo!) e grandes olhos cinzentos que me comia assim, à distância. Sentia o desejo dela como um campo eléctrico em seu redor, que me fazia húmida e gelatinosa no vestido branco que me cobria. Tive até medo que fosse visível para as minhas amigas a forma como, de repente, me vi a dançar apenas para ela, provocantemente, sensualmente.
Pensei-me louca, levei as mãos à cara e decidi-me por uma rápida visita ao WC, onde me poderia compor.
Mal tinha atravessado a porta e estava a passar água pelo pescoço que ardia, sentia-a atrás de mim. Sem me tocar, disse-me "quero-te e sei que também me queres. mas se me negares, vou-me embora sem te tocar sequer".
Sem levantar os olhos, sussurrei-lhe em voz rouca que sim, que a queria, que não sabia o que de mim se havia apoderado, que eu não era homossexual e mais uma data de baboseiras em forma de desculpa que ela calou, sem apelo nem agravo, colando a boca à minha, e explorando-me com a língua, enquanto os dedos doces me procuravam as virilhas.
Com todo o discernimento que pude reunir, e já ébria de desejo por aquele corpo moreno, pedi-lhe para se guardar, porque a queria partilhar contigo. Concordou e dirigimo-nos apressadamente ao meu carro, que conduzi até casa, enquanto ela me tocava onde conseguia, durante o caminho.
Abri a porta de mão dada com a minha mulher-desejo, chamei por ti. Vieste, meio tonto de sono, tronco nu e boxers, e num olhar compreendeste tudo. Olhámos-te, rimos meio em surdina, como meninas travessas preparadas para uma diabrura. Vi como o teu corpo se começou a agitar para o sexo (conheço-te bem).
Juntos, de mãos dadas, subimos para o quarto, em penumbra. Ficaste a um canto, de "castigo", enquanto a minha amiga me tocava com as suas mãos experientes e sábias, adivinhando-me o querer.
Desceu no meu corpo, abrindo-me as pernas e afundando a língua no meu centro, enquanto me contorcia sem nada pensar. Querias isto, afinal quem goza mais, quem gosta mais sou eu, estou louca, quero tocar-lhe, peço-lhe, encaixamos uma em cima da outra em cada direcção, exploramos os sexos alheios, agora estou completamente entregue e perdida e sinto a tua respiração ritmada no canto.
És convidado a participar, ela lambe-te o sexo hasteado, enquanto te beijo na boca e tens uma mão na cabeça da "nossa" mulher e outra no meu peito de mamilos erectos. Gostas, vejo-te na fome com que me consomes os lábios e me apertas o seio. Gosto que gostes.
Ordenas-lhe que me coma de novo, eu deito-me na cama, à beirinha, de pernas bem abertas, adivinhando já o fogo que nos vai consumir. Ela, deliciada comigo e o meu gosto a fêmea "virgem" nestas coisas, enfia bem a língua no meu clítoris, rodeia-o com os lábios, enquanto me penetra com os dedos. Gemo, é demais.
Louco, tu penetra-la por detrás, apoiado nas suas ancas largas. O gozo que vês no meu olhar inebria-te, endoidece-te, e ela pede-te que não pares, e que vás fundo, e diz uma data de obscenidades que nos põem a ponto de explodir. Estamos os três a gozar ao máximo, bem se vê.
Com um último empurrão, vens-te nela, ao mesmo tempo que ela se contorce no orgasmo simultâneo. Vendo-vos, abandono-me à língua dela, e o meu corpo arqueia no momento do orgasmo que me toma conta.
Os três, juntos. Como um.
Threesome, at last.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Noite especial

A minha noite especial.
Como combinado hoje deixo-me apenas ficar, recebendo prazer.

As tuas mãos são suaves, pequenas. Diria até delicadas.
Tocas-me docemente, traçando invisíveis tatuagens Maori na minha face, fazendo de mim guerreira tribal entre os teus braços.
São sábias, essas mãos. Conhecem-me os relevos e as concavidades, todas as curvas e contracurvas arredondadas que me compõem. Conhecem-me tão bem como o teu Eu irrequieto me conhece a alma, por dentro e por fora. O que está à vista e o que permanece oculto, todas as pequenitas coisas que só dou a conhecer a quem quero.

E eu quero-te a ti. Por isso me revelo, me desvelo, me descubro diante dos teus olhos e me abro sob o teu toque como uma flor aos raios de sol, me curvo sob essa tua mão suave como uma erva ao sabor da brisa.
Os teus lábios pousam sobre as minhas pálpebras fechadas, seguindo a rota antes percorrida pelos teus dedos. Afloram-me o lóbulo da orelha e despertam um arrepio que me faz contorcer sob a mão que desce rumo ao meu ventre depois de ter subido caminhos em espiral nos meus seios frementes.
Conheces-me bem, conheces este corpo que pulsa junto ao teu e cada toque se torna electrizante. A tua mão desvia-se para a minha coxa enquanto a tua boca toma a minha de assalto. Sim, de assalto - contrastando com toda a suavidade até agora demonstrada a tua língua mostra-se ávida, revelando uma fome imperiosa. Os dedos desviam-se agora insidiosamente para o centro do meu desejo, rodeando, explorando.

O meu braço emerge da letargia rodeando-te a cintura, premindo o teu corpo quente contra o meu. A tua boca afasta-se e ao abrir os olhos vejo a tua mirada fixa, verrumando-me a alma com os olhos enquanto me penetras no corpo com essa mão delicada e sapiente.
Solto um gemido e arqueio as costas sem deixar de te fitar. Continuas a olhar-me fixamente, a absorver todos os reflexos de desejo no meu olhar e exploras-me por dentro desencadeando um torvelinho nas minhas entranhas.
"Beija-me", sussurro, e sorrindo inclinas a cabeça sobre o meu ombro enquanto a tua mão continua a descobrir os meus húmidos segredos.

A tua língua traça agora rendados de saliva num mamilo endurecido, os teus dedos passeiam massajando o clítoris agora túmido onde se parece concentrar uma verdadeira tempestade eléctrica. Gemo, um queixume rouco quando me mordiscas o ventre, a tua mão provocando-me com desenhos entre os arbustos molhados. Tremo, ansiosa pela posse, mas como um estratega militar mandas um novo espião infiltrar-se no vulcão quase em erupção entre as minhas coxas. Insidiosa, a tua língua mostra-se uma exploradora tão hábil como os teus dedos, levando-me a um paroxismo de desejo em crescendo.

Páras. Recupero o fôlego e olho para ti. A tua mão (tão delicada, tão sábia) segura agora o teu brinquedo. Sorris. Sei que é agora e abro as coxas para ti, arfando em antecipação.



Penetras-me finalmente com o falo de borracha morna, direitinho ao ponto que homem nenhum descobre. Enquanto os teus seios se comprimem sobre os meus, levas-me ao clímax e eu grito por fim, um longo grito de prazer que te faz rir de satisfação.

Amanhã, minha querida, é a tua noite, é a minha vez de te fazer gritar assim ...

quarta-feira, 3 de junho de 2009

As luvas


Pedes-me que as calce, em voz de queixume.

Elas, as malditas, o teu objecto de desejo, pousam discretamente, como que alheias, na mesinha de bambú que mora na meia penumbra do canto.

Gosto de ver-te o desejo na boca, gosto de sentir-te o pedido no olhar.

Gosto que me gostes com elas calçadas, quando me sinto forte e te excito assim, na pose musculada de quem se defende, da mulher capaz e dura, de armadura negra colada ao corpo.

Por isso, faço-te a vontade, que já te vejo crescer na língua que me estendes.

Lentamente, calço-as, e as mãos assim trajadas transformam-me o corpo em felina, e simulo os gestos que tanto anseias por ver, porque te arrepia a pele de ébano e te transforma em labareda, que me incendeia o desejo. Simulo-me assim, a forte, a má.

E vejo como as tuas mãos te começam a percorrer o peito e os dedos te fogem para esse teu mastro de macho no cio e iniciam o jogo do prazer a que te dedicas, sem pudor, à minha frente, dizendo-me que sou eu quem te faz despertar esse teu génio maroto que te habita. E chamando-me para perto de ti, para que te olhe bem a masturbares-te. Por mim. Para mim.

Devagar, vou para perto. Empurro-te as mãos para longe do mastro erguido, bradando, não tanto para te provocar mas mais porque o meu âmago, que não sentes mas cuja humidade trespassa já as cuecas de renda negra, já me transtorna os sentidos despertos e tento dominar a custo a vontade de me empalar em ti negando-me o prazer do espectáculo.

Vejo, no teu esgar safado, que percebeste o meu gesto, e tentas sentir-me o desejo por debaixo da diminuta roupa. Não te vou deixar! Quero dominar, tenho-as calçadas, as luvas que tanto gostas. Por isso, sinto-me no poder. E a embriaguez leva-me a explorar-te a pele com a lingua destemida, centímetro por centímetro, vendo-te contorcer de ansiedade, desejo, impotência e uma tentativa frustada de me agarrar os mamilos, erectos. Nem penses, hoje és meu, neste momento faço-te sofrer debaixo dos meus beijos, da minha língua, da minha pele que se roça em ti e do meu peito que te busca o contacto desse teu falo, que pressiono e afago.

Gemes, rogas-me, todo tu és suor e paixão e queres-te enfiar em mim e possuir-me e abandonares-te à minha posse. Sim, hoje possuo-te. Podes penetrar-me, mas sou eu quem comanda esta dança.

Com um último beijo, solto-te os braços, que imediatamente encaminham as mãos para o soutien, desprendendo-o com a mestria dos anos em que o conheces, e em seguida me desprendem das cuecas molhadas com o cheiro do meu sexo carente. Carente de ti.

Subo-te, torturo-te um pouco mais, esfregando-te no suco, mostrando o quanto te desejo. Bem o sabes, mas gosto que o sintas assim, pele na pele. Para que saibas que agora e aqui o meu corpo e o teu se farão um só, disfrutando do prazer que acelera o sangue e explode nas sinapses do cérebro.

Enfio-me finalmente em ti, com um grito uníssono das nossas gargantas. Domino-te, peço-te que me sussurres ao ouvido que me queres assim, em ti montada, que me pertence este teu corpo e que queres que o faça desfazer em ondas de desejo. Que te cavalgue. Faço-o, devagar e depressa, devagar e depressa, ao meu ritmo, sabendo que é também assim que preferes, meu amor, que é assim mesmo que juntos vamos saboreando esta nossa dádiva, este receber.

Não me engano, uma vez mais.

Sinto-te o corpo teso por debaixo do meu e a tua voz sumida que me pede que me venha contigo, em ti, por ti, para ti, em simultâneo prazer, e abandono-me a uma última viagem, mais um vai-vém do corpo, mais um arranque, afundo-me toda em ti e.... gritamos abraçados, abafado o grito pelas bocas que se unem no instante final do orgasmo, sinto-te libertares-te em mim, estremece-me o corpo aos repelões, as ancas firmemente agarradas pelas tuas mãos, pressionadas contra ti, somos os dois, somos um, fazemo-nos um, assim...

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Summer night

Acordo sentindo-me desnorteada, molhada, oprimida.

Culpa deste calor que se abate sem perdão até desoras. Porque são, de facto, desoras – o despertador pisca, desnorteado também, perdido do tempo, sinal de que a electricidade deve ter faltado.

Olho para o tecto, invisível na penumbra. O calor impede-me de voltar a adormecer.

Respiro fundo, de forma lenta, calculada. Tentando dominar o inferno – porque não é apenas o calor exterior, da rua, intenso e pesado. É também o de dentro, ardente, quase doloroso.

Sim, doloroso. Porque sinto a tua falta e dói.
Porque te quero a meu lado, partilhando o silêncio e a noite escura, partilhando calor.
A ausência deita-se comigo, prendendo-me nas suas garras e quero ter-te aqui.
Tu, tu és mais do que o teu corpo mas também és o teu corpo. E ao pensar em ti, ao sonhar contigo é esse corpo que o meu corpo deseja.

Sei agora porque acordei – foi porque a dor se tornou forte demais.
Olho para mim mesma, para os contornos difusos do algodão que me cobre.
Os mamilos arrebitados fazem os seios túmidos parecer um par de tendas gémeas sobre um planalto. Um circo obscuro em que só eu sei o que se passa. Lá dentro. Cá dentro.
Só eu sei a fome devoradora que me queima o ventre e me faz sufocar.

Acabo por levantar-me, incapaz de permanecer deitada num leito onde não estás.
A (pouca) roupa cai molemente no chão. Desejaria tê-la tirado para ti.

Ponho a correr a água tépida e entro vagarosamente no cubículo do chuveiro. Deixando que a água corrente leve o suor pegajoso e a mágoa, cerro os olhos e encosto-me à parede.
Descontraída, a mente divaga e acabo por pensar de novo em ti, em quanto gostaria de te ter comigo ali mesmo, o teu corpo contra o meu, tocando, explorando, partilhando.

Quase sem dar por isso, as minhas mãos substituem-se às tuas, dolorosamente ausentes, percorrendo os caminhos que não tive que te ensinar naquela primeira e longínqua noite porque pareceste conhecê-los desde sempre, tal como conhecias todas as sinuosidades da minha alma há tanto tempo.
Navegam na minha pele, os meus dedos, como tu navegaste, sem astrolábio nem bússola, encontrando as rotas rumo ao sul do meu corpo. Ali aportam, mergulham no lago invertido oculto pelo monte - verdadeiro mar interior de fogo – e me arrepiam, me fazem morder as costas da outra mão sufocando um gemido, me tornam ainda mais evidente, mais premente todo o desejo que tenho de ti.

Molhada e insatisfeita envolvo-me no roupão, querendo que fora teu o abraço que o tecido turco me oferece, querendo que fora o teu peito a apoiar-me as costas em vez da fria rigidez da parede.
Já sentada na cama, passo a mão pelos lençóis onde os nossos corpos nunca se encontraram, pelas almofadas que nunca acolheram os nossos suspiros e olho para as paredes que nunca ecoaram os nossos beijos.

Deito o meu corpo, lavado de fresco mas vazio do teu calor, preparada – mas nunca pronta - para mais uma noite que não vai dar-me grande descanso.

Mais uma noite sem ti.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

out of control


terça-feira, 26 de maio de 2009

Imprevisto

6 da madrugada.
Espreguiçou-se de olhos semicerrados. Lá fora continuava a chover.
Virou-se na cama e olhou para ele, ainda adormecido, e sorriu recordando-se da noite anterior.

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Perto da hora do almoço o telemóvel dela zumbiu. “Hoje tenho a tarde livre. Queres ir tomar um café?”
Conheciam-se há anos. Desde o início se estabelecera entre eles uma afinidade cujos contornos nunca tinham sido bem delineados e sempre tinham sabido mais da vida pessoal um do outro do que os restantes membros do grupo de amigos – doenças, chatices no trabalho, amores e desamores partilhados por email ou messenger. Mas nos últimos tempos as mensagens terminavam com “Beijos” em vez de “Abraços”.
Respondeu-lhe à mensagem: “Vou estar num seminário. Só me despacho lá para as 6.”
Novo zumbido: “Fica para a próxima, então. Beijos”
Durante toda a tarde esteve no seminário alheada. Não conseguia ter a atenção completamente focada na apresentação embora o assunto fosse do maior interesse para si. Passava já das seis e debatiam ainda alguns casos práticos quando o telemóvel voltou a zumbir: “Estou cá fora à tua espera”
Tomou algumas notas de forma apressada, atamancou papéis, folhetos, canetas e tudo o resto na pasta azul e saiu. Ele estava parado no exterior, junto às portas de vidro.
“Trouxeste chapéu?”
“Não, ficou no carro ... quando cheguei ainda não estava a chover.”
Riu-se. “Dou-te boleia, então...”
O chapéu era grande mas uma goteira maldosa acertou-lhe com um pingo mesmo no interior da gola alta. “Raios! Já me molhei!”
“Que mania que vocês têm, esses saltos finos... vais ficar com um preso na calçada não tarda.” Suspirou olhando para ela de lado. “Vá, anda cá.”
Passou-lhe o braço em volta dos ombros, aconchegando-a debaixo do chapéu.
“Cuidado com as poças. Não vais querer estragar essas botinhas todas chiques ...”

Entre risos chegaram ao centro comercial ali próximo. Sentaram-se partilhando um café, palavras, sorrisos e muitos olhares sobre o silêncio cúmplice.
“Onde deixaste o carro?”
“Na oficina. Vim de transportes.”
“Queres que te dê boleia?”
“Vinha a contar que oferecesses ...”
Saíram de braço dado. A chuva parara como se tomasse fôlego para novos avanços.
“Não conheço bem a zona onde moras”.
“Eu indico-te o caminho.”
Ao fim de várias curvas e desvios ela confessou-se perdida. “Vamos ver como é que vou voltar para casa!”
Estacionaram em frente à casa dele, junto a uma árvore. A chuva voltara a cair impiedosamente.
“Bem, estás entregue.”
“Telefona-me quando estiveres em casa para saber que chegaste bem, ok?”
“Claro.”
Aproximaram-se para um beijo rápido de despedida – que não aconteceu porque as bocas se aproximaram demasiado num choque de narizes e os lábios se colaram sem se querer separar, afastando-se apenas pelo tempo suficiente para respirarem.
A mão dele pousou-lhe na face e deslizou pelo pescoço, ombro abaixo até ao seio. Voltou a descer, insinuando-se por baixo da blusa de malha e acariciando-lhe a pele nua. Ela abandonava-se às suas carícias, esquecida do tempo na intensidade do beijo, as mãos segurando-lhe ternamente a face.
“Não quero parar mas aqui estamos um bocado mal ... queres subir?”
Ela riu-se languidamente: “Sim ... quero”.
Endireitou-se compondo a roupa enquanto ele saía e dava a volta ao carro com o chapéu na mão. “Não quero te molhes ... por fora“.
Abraçados, atravessaram a estrada. Subiram as escadas e imobilizaram-se junto à porta.
“Não tinha planeado nada disto, sabes?”
“Calculo ... eu também não.”
Beijou-o levemente e mordeu-lhe o lábio enquanto premia o corpo contra o dele. Sentiu-lhe o sexo avolumar-se contra a pélvis. Encostado à parede e enquanto procurava a fechadura com a chave deslizou a outra mão pela coxa dela até ao traseiro firme, agarrando-o com força.
“Provocadora ...”
“Chiu ... demoras muito a abrir a porta?”
Conseguiu finalmente acertar com a fechadura e deslizaram para a penumbra do apartamento. Ajudou-a a tirar o casaco e pendurá-lo no cabide da entrada. Ainda de costas, sentiu as mãos dela rodear-lhe a cintura e a cabeça pousar-lhe no ombro.
“Mudaste de ideias? Se não quiseres ...”
“Não é isso. Tens que compreender, nunca fiz nada disto. Sempre fui a menina bem comportada, casa-trabalho-casa, casei-me, divorciei-me e pronto, sem flirts de ocasião, sem aventuras sexuais. Mas contigo perco o controle de mim mesma.”

Virou-se e encarou-a.
“Podemos ficar apenas sentados um pouco, conversar. E depois logo se vê.”
“Não. Já perdemos demasiado tempo e não quero perder nem mais um segundo!”
Domou a ansiedade dela com mais um beijo. As mãos, agora sem urgência, levantaram-lhe a blusa e ajudaram-na a retirá-la. Ela abriu-lhe a camisa. Enquanto ela lhe desapertava as calças, libertou-a do soutien acetinado e olhando com intensidade agarrou-lhe os seios com as mãos em concha como se tivesse recebido um presente.
As pernas dela tremiam enquanto se encostava ao móvel da entrada. Fez-lhe escorregar as calças, que ele empurrou com o pé. Olhando-o nos olhos passou a mão pelo alto no interior dos boxers justos. Sem deixar de a olhar ele despiu-os sorrindo. Debruçou-se e beijou-lhe um mamilo e depois outro, explorando-os com a língua e fazendo-a suspirar.
Desceu com um joelho ao chão como se lhe prestasse honras. As mãos desceram dos seios para a cintura, abrindo o fecho e fazendo descer a saia pelas ancas.
Com imensa suavidade beijou-lhe a pele macia das coxas trementes enquanto os dedos puxavam a lingerie ambarina pernas abaixo até a retirar.
Olhou para cima. Ela tinha a cabeça descaída para trás, os seios retesados, túrgidos, os mamilos salientes.
Abriu-lhe as pernas e tocou-a, afastando os lábios grossos e ardentes do clítoris entumescido. Os dedos da mão direita deslizaram e penetraram-na, encontrando uma lagoa oculta de verdadeira lava ardente. Ela arfava. Retirando a mão fez-lhe subir a coxa e penetrou-a novamente, agora com a língua ávida em movimentos rápidos, circulares, exploratórios. Agora ela gemia baixinho, as mãos crispadas na beira do móvel, a cabeça tombada e os olhos cerrados. Ele pôs-se em pé e aproveitando a posição dela penetrou-a assim mesmo, uma vez e outra, e outra, e outra, e outra, incessante como um martelo pneumático. No auge da excitação ela sufocou um grito e levantando a outra perna rodeou-lhe a cintura com ela, abrindo-se totalmente para ele, para o seu desejo, movendo-se em sintonia até ambos chegarem ao cume do êxtase.

Mas a fome de ambos era avassaladora, de tantos anos acumulados e reprimidos. Ela pegou-lhe na mão e perguntando-lhe onde era o quarto levou-o até à cama. Fê-lo sentar-se de pernas abertas, ajoelhou-se diante dele e tomou-lhe o falo com os lábios sedentos, gulosos, obrigando-o a voltar a acordar. Depressa estava erecto, orgulhoso e faminto. Fazendo-o deitar-se de costas ela montou-o, levando-o a subir quase até ao píncaro do prazer – e parando aí. Com ar desafiador virou-se de costas e colocou-se de gatas, oferecendo-se-lhe. Assoberbado pelo desejo ele agarrou-lhe as ancas e entrou completamente nela, sem medo, sem compaixão, sentindo-se cada vez mais próximo do clímax enquanto ela soltava gemidos que quase pareciam uivos.
No momento do orgasmo, em comunhão suprema, ambos gritaram.
Depois tombaram sobre os lençóis, exaustos, partilhando a magia. Adormecendo num ápice.

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Ele abriu os olhos e descobriu-a a fitá-lo.
“Dormiste bem?”
“Lindamente”
“Queres tomar o pequeno almoço ou ...”
“Quero-te a ti. Só.”
Beijaram-se.
Entre os lençóis os corpos nus voltaram a encontrar-se e a magia voltou a acontecer ...

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Motel

O seio dela subia e descia, no torpor ritmado da respiração adormecida.
À meia luz do quarto, naquela madrugada fria de Janeiro, a pele morena parecia brilhar, iluminada pelo rasgo de lua espreitando timidamente pela cortina da janela do motel.
Lenta e gulosamente, ele olhou-a, relembrando a noite anterior.
Só de pensar crescia-lhe velozmente o desejo por entre as pernas, nascendo de novo a vontade de possuir aquele corpo, aquela fêmea que se lhe unia em desejo, aberta e húmida.
Tinha-a possuído, uma e outra vez, até ambos sentirem o suor como uma segunda pele e o cansaço lhes toldar o olhar.
E, no entanto, poucas horas passadas, mal acordado e olhando-a assim, com o basto cabelo negro lançado na almofada e o corpo maduro atirado na cama, percorria-o já a fome de mais uma vez a fazer sua.
Cuidadosamente, colocou os dedos, ao de leve, no estômago liso. Ela não se moveu, perdida talvez em sonhos aconchegantes.
Sem um som, ele moveu-se com cuidado, colocando-se por cima do corpo dela, mas sem lhe tocar... os dedos subiram ao seio que cantava à lua, iniciando o toque. Meio a dormir, ela sentiu-se tocada, reconhecendo imediatamente o calor, a geometria daquela pele.
Afastando-lhe docemente as pernas, ao mesmo tempo que intensificava a pressão dos dedos no peito, ele soube que ela havia acordado. O corpo dela, quente e ainda dormente, aconchegava-se às suas carícias, contorcendo-se ligeiramente, num imperceptível sinal do gozo antecipado.
Molhando os lábios, ele começou a desenhar traços de saliva na barriga dela. Os dedos desceram-lhe às virilhas, passando ao de leve. O corpo nervoso dela denunciou o desejo que se acumulava. Continuava de olhos cerrados, mas a tensão era já visivel na postura de convite que as pernas, abertas, faziam.
Desceu a língua, mais. Movimentos espirais humedeciam-lhe (como se fosse preciso, molhada como ela estava, pronta, de imediato, para o receber no seu colo!) o sexo, desciam os dedos, abriam-na mais...
Num repente, enfiou-lhe os dedos, sentindo o corpo dela arquear-se de imediato. O prazer que lhe sentia enrijeceu-lhe o sexo e acabou de o enlouquecer. Gostava de a sentir assim, nas suas mãos, massa de barro para ele moldar no seu desejo.
Com a língua, massajou-lhe o clitóris, e sentiu-a gemer. Ela agarrou-lhe na cabeça com força, encostando-o mais contra si, misto de pedido e ordem, excitando-o. Era agora ela quem se arqueava facilitando a penetração dos dedos e a língua que, cada vez mais depressa e com mais força, a enlouquecia.
Sentia-a estremecer, era altura.
Não conseguia mais esperar.
Separou-se dela perseguido por um meio queixume da sua boca, e imediatamente lhe abriu com força as pernas, penetrando-a sem aviso. Ela gritou, mas no seu grito ecoava o nome dele e todo o desejo que lhe consumia o corpo.
Finalmente, abriu os olhos, para lhe pedir, sem palavras, que a deixasse ser a mestra, e ele o aluno.
Sorrindo, ele deitou-se docemente na cama, puxando-a para cima de si, e sentindo-a enterrar-se na carne molhada do seu sexo.
Puxando-lhe as mãos para trás, ela fechou os olhos e iniciou a sua dança, que ele tão bem conhecia. Cada centímetro do seu corpo entregue ao acto de ter e dar prazer, cada pedaço de pele transpirando o desejo que lhe tinha.
Juntos, perdidos, uma vez mais, subiram a escalada febril até ao orgasmo, num grito surdo de mistura de sabores, sentidos e vontades, vagueando no limbo embriagante do prazer...
Acabada a dança, corpos exaustos, lado a lado, desenham o futuro com os dedos das mãos...

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Black Velveteen


O corpo dela era uma língua de fogo negra, contorcendo-se na pista.
Cobria-lhe a pele, como uma luva de dedos delicados, calças e corpete de cabedal, que quase pareciam fazer parte do seu corpo, não fosse o prateado do fecho, aberto até ao peito farto e que espreitava, enfadado e desafiante (como uma promessa) de dentro do decote profundo.
Alheia à análise detalhada dos olhos gulosos do macho que a mirava do fundo da pista, ela dançava, preenchida por música e sensualidade. Em cada gesto, a entrega ao torpor do som. A anca balouçava num ritmo crescente, como cobra a hipnotizar quem se atrevesse a olhá-la segunda vez. Perdida, suada, embalada, ela dançava. E contorcia-se.
Ele sentia cada subida de anca como um convite, chegava-lhe como uma onda de prazer antecipado, um gosto do que se quer e se deseja e ainda não é nosso, uma mensagem em código morse que era apenas e somente para ele. Como um íman, um holofote no meio da noite, um sinal.
Passando por um amontoado de corpos que se namoravam em posturas, toques e sabores, chegou até ela, que de olhos fechados pressentiu o perigo e a onda de puro frémito que o acompanhava. Sentiu, de súbito, as mãos dele numa urgência do seu corpo, acompanhando o ondular da anca. Era doce o toque, calmo, mas escondia o desejo de posse, a pura fome dos sentidos. Também ela o queria, e o namorava (in)discretamente a partir daquele canto da discoteca, enviando-lhe códices de desejo através da pista.
O contacto dos dedos dele no seu corpo foi como uma corrente eléctrica que lhe eriçou a penugem leve do corpo, fazendo-a estremecer. Deitou a cabeça para trás, num claro convite ao mergulho dos lábios no pescoço nú, enquanto sentia crescer em si a mão do desejo.
Abrindo os olhos, fitou-o, num mudo apelo à proximidade máscula do seu corpo. Ele acolheu a sua súplica num olhar guloso e expectante e, pegando-lhe na mão, conduziu-a devagar para o carro vermelho que esperava na porta da discoteca.
Voaram pelas ruas sem trânsito, contornando ocasionais vielas escuras e feias, até chegar à porta de casa dele. Sem palavras, sem combinarem, começaram a explorar-se mal se fechou a porta de entrada nas suas costas, com um beijo urgente e sem prelúdios trocado nas línguas molhadas, pressentindo o abismo.
Abraçados na descoberta do prazer dos sentidos, começaram a dança da nudez mútua, as línguas a percorrer o corpo ainda inexplorado, traçando na pele gotas húmidas de saliva. As costas dela sentiram o toque frio e áspero da parede enquanto os dedos do seu amante se dirigiam inexoravelmente para o centro húmido entre as suas pernas, que o aguardava em ansiedade. Estremecendo com o penetrar urgente e forte dos dedos no seu interior, ela abraçou-o e procurou a língua dele, puxando a outra mão para o seio túrgido, contorcendo-se nervosamente.
À medida que crescia a avidez no corpo de ambos e se deleitavam com a luxúria dos sentidos, ela procurou o sexo hasteado do companheiro, afagando-o com os dedos que brincavam na pele, encostando-o ao seu próprio sexo, húmido como uma lagoa limpa.
Este contacto ritmado fê-los perder o controlo, tão dolorosamente mantido até ali. Abrindo-lhe as pernas, ele enterrou-se nela com força, com poder, transtornado pela necessidade da posse, da entrega, do desejo que nunca antes havia sentido assim, como uma ordem impossível de vencer.
Ela recebeu-o com um gemido surdo de prazer, invadida no seu centro, rendida à loucura.
Penetrando-a uma e outra vez, com as pernas dela fortemente enroladas na sua cintura e as bocas coladas a gemer, sentiu o orgasmo cada vez mais perto... e quando ela se contorceu contra ele, soltando um grito rouco, o corpo em espamos, lançou-se com ela nesse frémito urgente, nessa viagem dos sentidos, nessa partilha de corpo e alma e pele e músculos, todo ele dentro dela, toda ela aberta em recebimento e dádiva, os dois jazendo em ondas de prazer....

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Tease 2

As minhas pernas tremem e começo a ficar com frio apesar das tuas mãos serem calorosas. Ris-te e abraças-me de encontro ao teu corpo, mantendo-me quente. Já me custa um pouco estar assim sentada; deixa-me levantar.
As pernas estão bambas e deslizo para o chão, derreada. Foi uma cavalgada valente...
Ris-te de novo, fazes pouco do meu cansaço e deitas-te ao meu lado. Os teus olhos brilham de puro gozo ao apertares-me a ponta do nariz e perguntas se estou pronta para mais. Olho para baixo ... estou cansada mas tu é que ainda não estás pronto para outra. Agora sou eu que me rio de ti mas com um sorriso maroto dizes que não demora muito a rearmar os canhões.

Ficamos assim, deitados frente a frente com sorrisos patetas, as mãos de um na cintura do outro, as pernas encostadas e os joelhos brincando à apanhada.
É verdade então, és mesmo um satirozinho esgalgado e já estás novamente faminto de desejo, rolas para cima de mim, num repente puxas-me as coxas para cima e penetras-me na boa velha posição de missionário, moves as ancas de forma diabólica e velocidade desigual fazendo-me gemer de irritação, louca de desejo por te querer todo dentro de mim ; continuas no entanto a fazer de propósito, umas vezes devagar e outras depressa mas sempre sem entrar totalmente, lanço um grunhido e cravo-te as unhas nas costas - vais ter umas marcas terríveis daqui a algumas horas - mas continuas a provocar-me só com a pontinha até me veres revirar os olhos e penetrar-me por completo, bem fundo, bem fundo, venho-me sem me conseguir conter e ris-te de satisfação ...

Empurro-te para trás e não páras de rir, sentas-te mas faço-te deitar de costas, perdes o sorriso quando agarro nesse falo molhado de mim e o devoro, a mão segura firmemente e acompanha o movimento da boca para cima e para baixo, a língua sempre mexendo ao longo da carne quente, começas a perder o controle e é a minha vingança ao parar de repente. Agora sou eu quem se ri.

Vamos mudar um bocadinho ... isto será gramática ou jogo do galo? Não interessa, vamos desenhar um X, ficas aí deitadinho de pernas afastadas, eu viro-me de lado e cruzo uma perna por cima da tua em arco, como uma ponte, apoiada num cotovelo deslizo o corpo na tua direcção e oriento-te na direcção do túnel quente, é hora de jogar outra vez. Encaixamo-nos de forma exacta, geometria prevista nos nossos genes? Não sei, não sei mais nada neste momento a não ser como me mover contigo e de encontro a ti, agora sou eu quem controla a velocidade e tu quem se irrita, aperto o esfíncter desta outra boca ardente como se te engolisse, sentes-me apertar-te e largar-te várias vezes, movo-me assincronizadamente até que já eu própria mal me contenho, deixa-te ir, vá, desiste de controlar, vem-te, vem-te, eu é que já não aguento, prendemos as mãos e nem consigo sufocar meio grito que mais parece um uivo, satisfeito por teres conseguido conter-te mais do que eu vens-te de seguida inundando-me com o teu sémen morno e grunhes também.

O X desfaz-se de forma lenta como um biscoito derretendo-se em leite quente. As pernas afastam-se, gatinho na tua direcção e deixo-me cair ao teu lado sobre o braço aberto que me aguarda, pouso a cabeça no teu ombro e olho para ti, olhos nos olhos, míopes mas capazes de ver a alma um do outro, sorris e beijas-me docemente; digo num suspiro que te amo e fecho os olhos.
Adormeço no teu abraço. Quero que seja sempre assim.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Tease 1



Anda, vem até mim. Isso mesmo. À minha frente.
Deixa-me tirar-te a gravata e segurar as tuas faces entre as minhas mãos. Quero olhar bem dentro dos teus olhos enquanto me aproximo. Como brilham ... e como me vejo a brilhar no reflexo!

Shh ... não fales. Quero beijar-te, tocar docemente os teus lábios com a ponta da língua antes de devorar essa tua boca. Perco-me nos teus beijos, sabias?
Sabes que gosto que me abraces ... sim, quero sentir as tuas mãos deslizar à volta do meu tronco, rodear-me a sob a blusa e subir pelas minhas costas.

Enquanto te debates com o colchete as minhas mãos descem até à tua cintura e enquanto te puxo a camisa para fora das calças a minha boca desliza até o teu pescoço, a língua brinca com o lóbulo da tua orelha e mordisco-te levemente.
Sei que gostas. Quero sentir-te arrepiar.
Ajuda-me a tirar a camisola e eu desabotoo-te a camisa. Quero sentir o teu peito contra o meu enquanto livras os meus seios da sua prisão de polyester e os rodeias com as tuas mãos, beijo-te ao mesmo tempo que abro o fecho e faço deslizar as tuas calças pelas coxas, puxando-te os quadris de encontro aos meus.

Beija-me, beija-me com voracidade como um homem esfomeado devoraria um bife – sou a refeição do teu desejo que já se nota tão bem – percorre o meu pescoço com os teus lábios e desce até aos seios túrgidos e arrepiados, sinto a tua língua no mamilo e o arrepio aumenta, mordisca-o, sim, suga-me com força o seio enquanto a tua mão aperta o outro, os dedos brincando com o pequeno botão que espera a sua vez. As minhas mãos crispam-se nas tuas costas deixando marcas rosadas, a cabeça descai-me para trás e os olhos tornam-se esgazeados.
Voltas ao meu pescoço, aos meus lábios sedentos ao mesmo tempo que as tuas mãos escorregam para dentro da lingerie já húmida, uma mão agarra-me firmemente a nádega enquanto a outra desliza pela frente até os dedos penetrarem bem dentro da fenda quente e alagada ... as minhas mãos descem pelas tuas ancas, o teu membro proeminente chama por mim e eu liberto-o do seu envólucro de algodão, cravo os dedos da mão esquerda no teu traseiro enquanto a direita brinca com a dura evidência da tua masculinidade.
Os arfares perdem-se entre dentes porque as bocas não se largam, a lingerie está agora bastante molhada e torna-se desconfortável e os teus boxers prendem-te as coxas, mais vale tirar já tudo, que achas? Bem me parecia que concordavas...

Agora fazes o que eu te disser ... não protestes. Vais gostar, tenho a certeza. Senta-te nesta cadeira de braços e não te movas. Ou queres que te amarre?
Pego no meu lenço de seda negra e vendo-te os olhos. A humidade escorre-me pelas coxas enquanto me ajoelho à tua frente e te afasto as pernas. Aproximo-me mais e os meus seios pesados e contraídos pousam-te na pélvis. Beijo-te o peito, roço lentamente a face no teu tronco e o teu falo orgulhosamente erecto fica rodeado de calor. Apoio as mãos e ergo-me um pouco. Procuro mais uma vez os teus lábios, não me canso de te saborear. Mordisco-te a orelha, o ombro, beijo-te o peito e o abdómen. Vendado, não vês nada mas adivinhas para onde me dirijo, não é? Sabe-lo tão bem como eu.
As minhas mãos rodeiam agora a tua carne túmida e palpitante, seguro-o como pegaria num vaso precioso, observo-o com carinho antes de beijar levemente a ponta redonda. Sobressaltas-te? Já? Então e agora, enquanto sentes a ponta da língua fazendo desenhos na carne? Já começas a silvar entredentes ... e a língua continua a fazer desenhos de saliva, subindo e rodeando, descendo até aos gémeos e companheiros, olha como estão contraídos, visito-os também e a língua volta a subir a montanha, o teu falo é agora o meu gelado suculento que saboreio gulosamente, a minha boca absorve-te e liberta-te novamente, vezes e vezes de seguida, sinto-te estremecer e ouço-te arfar, engulo-te uma última vez por inteiro até te sentir bem no fundo da garganta, prendendo-te por alguns segundos e ouvindo-te gemer baixinho, afasto a boca por fim e observo-te com prazer, duro e erecto como nunca, brilhante de saliva - embora não seja preciso mais lubrificante de tanta humidade que me escorre da fenda ígnea e faminta. Seguro-te as pernas e uno-te os joelhos, afasto as coxas e sento-me em cima de ti – basta indicar ao pequeno mineiro onde está a gruta e ele entra, devagar porque assim o quero, deixo-me deslizar e encharco-te com o meu suco, brinco com o pavimento pélvico como um anel norueguês voltando a subir e desta vez descendo rapidamente e bem até ao fundo, movo os quadris para trás e para a frente apenas, agora ligeiramente em círculos sentindo-te a toda a superfície do quente túnel em que penetraste, tão duro e tão fundo.

Não resistes e agarras-me os seios com as mãos, sou agora a tua amazona e cavalgo como se fosse fêmea de centauro, as mãos nos teus ombros, subindo e descendo, arfando e gemendo com um sorriso, cada vez mais depressa até sentir que se aproxima a quente vaga do orgasmo, seguro-a, seguro-a, vem-te também, vem-te que ao sentir-te inundar-me o ventre desse suco quente liberto a onda e venho-me contigo, arranco-te a seda negra dos olhos num repente e beijo-te, beijo e continuo a beijar-te dizendo vezes sem conta que te amo.